Este é um texto que escrevi no dia 1 de Maio de 2000 e que, depois de muita procura, consegui encontrar escondido nos cantos obscuros dos meus discos rígidos. Publico agora no meu blog pessoal para que todos o possam ler e apreciar a minha devoção ao maior piloto de F1 de todos os tempos...A proximidade do dia 1 de Maio provoca em mim uma nostalgia e um sentimento de revolta que me leva sempre a conter uma ou duas lágrimas.
Neste dia, em 1994, encontrava-me a viajar no carro da minha família depois de um almoço com amigos quando, ao acompanhar pelo rádio o Grande Prémio de Imola, fiquei horrorizado ao ouvir o comentador referir o acidente de Senna. Havia algo na sua voz que me preocupava e não era normal ouvir, naquele tom e com aquela gravidade, o relato de um acidente. Afinal de contas acidentes havia muitos mas não como aquele e não com o piloto que todos amávamos e continuamos a amar.
O Grande Prémio de Imola em 1994 roubou à Fórmula 1 uma de muitas coisas: a sua inocência, a complacência, até a sua excitação, mas, a mais trágica de todas, a vida de um dos seus mais talentosos protagonistas.
A morte de Ayrton Senna, num acidente, nunca totalmente explicado, na curva Tamburello aterrou o Brasil, Portugal e todo o mundo desportivo a um grau nunca antes visto. A sua morte prematura na pista, tal como Jim Clark e outros antes dele preservou o seu estatuto como uma verdadeira lenda da F1.
Senna entrou na F1 em 1984 numa equipa muito pouco conhecida de todos nós chamada Toleman depois de uma curta temporada no karting, Formula Ford e uma época que venceu a Formula 3 no ano de 1983.
A sua primeira época na F1, na Toleman, resultou em pouco mais do que molhar o seu apetite por sucesso. O início na F1 deu-se em casa, frente aos seus fãs, na linda cidade de Jacarepagua, apesar de ter impressionado pouco devido a problemas mecânicos que o conduziram à desistência na 8ª volta. Depois de um início um pouco lento, incluindo a falha na qualificação para entrar no Grande Prémio de Imola, Senna deixou a sua marca no circuito que viria a dominar como nenhum outro, o Mónaco.
Debaixo de chuva intensa, que resultou em nada mais nada menos que oito acidentes, incluindo os dos pilotos Mansell e Lauda, Senna controlou os seus nervos e acabou a prova em segundo lugar logo atrás de Prost, numa corrida que só teve 31 voltas devido às péssimas condições atmosféricas. Foi a melhor qualificação de sempre em toda a história da equipa Toleman. Fica como nota o facto de na 32ª volta Senna já se encontrar na primeira posição, depois de uma espectacular ultrapassagem a Prost nas curvas depois da linha de meta, ultrapassagem essa que ainda hoje impressiona quem a vê. Por decisão da comissão só contaram 31 voltas na prova, o que roubou a Senna a sua primeira vitória na F1.
Senna conseguiu ainda dois 3º lugares nessa época em Brands Hatch e no Estoril mas começava a ficar claro que a equipa Toleman não reunia as condições necessárias para que conseguisse chegar ao topo. No final da época Senna mudou para a Lotus onde viria a conseguir, na segunda corrida de 1985 no Estoril, a primeira das suas 65 «pole positions» e a primeira vitória da sua carreira, liderando da primeira à última volta.
Senna passou três épocas na Lotus onde conseguiu mais quatro vitórias mas a equipa estava longe da força que a levou à 5ª vitória do mundial de construtores em 1978.
Em 1988 Senna mudou novamente de equipa desta feita para a McLaren que então era a equipa dominante na F1. Esta mudança trouxe-lhe sucesso imediato. Começou a época com seis «poles» consecutivas e acabou a época com oito vitórias e o título de campeão do mundo. No ano seguinte, apesar de ganhar seis provas comparadas com as quatro do seu colega de equipa Alain Prost, conseguiu apenas o 2º lugar no mundial de pilotos.
Contudo a relação entre os dois pilotos deteriorou-se ao ponto de hostilidade aberta que resultou numa colisão entre os dois no Grande Prémio do Japão de 1989 em que a culpa foi atribuída a Senna. A hostilidade continuou entre os dois colegas mesmo depois de em 1990 Prost mudar para a Ferrari e só acabou pouco antes da morte de Senna. De facto Prost foi um dos pilotos que, no funeral de Senna, carregou, em ombros, o seu ex-colega pelas ruas de São Paulo.
Senna tinha continuado as suas vitórias e reclamou mais dois títulos em 1990 e 1991 ao serviço da McLaren antes da equipa começar a perder terreno para a parceria Williams-Renault. Apesar dos problemas, Senna ficou na McLaren mais duas épocas antes de mudar para a Williams em 1994. Antes da mudança conseguiu aquela que seria a sua última vitória na F1, ainda ao serviço da McLaren, em Adelaide (Austrália).
A entrada na Williams parecia ser a combinação perfeita para a recuperação do sucesso mas afinal Senna só correu pela Williams três vezes. Enquanto liderava a corrida de Imola (San Marino), um acidente fatal na 6ª volta provocou lesões na cabeça resultando na sua morte.
Um triplo campeão do mundo morreu, mas, nesse dia, nasceu uma lenda da F1.
Será que ainda é necessário um comentário......
ResponderEliminarprefiro nem comentar suas palavras já dizem tudo...
beijos...