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14 agosto, 2014

A Loucura

Chamem-nos loucos, ou normais, mas, chamem-nos qualquer coisa! Porque a nossa alma é impaciente e anseia por amor... Ahh, Florbela, como tu me compreendes!

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades… sei lá de quê!" - Florbela Espanca


"Apesar de tudo, a loucura não é assim uma coisa tão feia como muita gente julga. Há tantas loucas felizes!" - Florbela Espanca

05 agosto, 2014

A Coragem da Vulnerabilidade

Escrevo, hoje, mergulhado numa imensa dor e profunda solidão. Muitos de vocês já me conhecem e convivem comigo há muitos anos, outros são amizades ou conhecimentos mais recentes no tempo mas que, mesmo assim, não deixam de ter a sua intensidade na forma como estão ligados a mim. Por fim, há ainda aqueles que me conhecem através de um breve momento social, de ouvir falar em mim ou têm apenas uma ligação de carácter virtual através de redes sociais online. A todos, sem excepção e de igual modo, quero exprimir o que sinto, o que me magoa, o meu estado de alma... No fundo, quem sou.
Não farei aqui uma demonstração de qualidade literária nem invocarei uma qualquer ficção barata. O que vocês estão prestes a ler é a realidade nua e crua de quem existe dentro do meu coração. Este, sou eu.

Não existe necessidade de detalhar todos os pequenos mistérios da minha infância e juventude. Também não quero preocupar-me com sequências cronológicas dos factos que a minha vida encerra. Apenas dar a conhecer algo. Algo que poderão desconhecer, algo que poderão amar ou algo que poderão odiar mas, acima de tudo, algo vos poderá fazer decidir se continuam na minha rede social ou não.
A minha existência sempre foi concebida de extremos. Desde muito cedo percebi que existiam pessoas que me adoravam e pessoas que me odiavam. Sendo a criança nervosa e irrequieta que, cedo, me fizeram ver que era e mais tarde eu próprio me apercebi, não tinha capacidade para entender muitos sentimentos que me rodeavam e, para ser sincero, esse facto nunca me preocupou muito. Em criança e jovem, quando algumas pessoas se afastam por algo que não os satisfaz, existem sempre muitas outras que estão disponíveis para um qualquer tipo de relação. Uma brincadeira, um aniversário, uma saída, um passeio, um convívio. Grande parte da minha infância foi passada em relacionamentos inconstantes. Tinha um grupo de amigos que, devido à personalidade que já se revelava, era muito dinâmico. O círculo era reduzido. A maioria frequentava a mesma escola, outros eram filhos de amigos da família ou, por fim, residiam no mesmo bairro e conviviam comigo quando passávamos os dias na rua. Mas este dinamismo provinha, quase como que um reflexo social, da maneira como a minha personalidade se impunha às demais. Enquanto que alguns amigos, poucos, se mantinham mais unidos a mim, por motivos que, julgo, estão relacionados com maior paciência, laços que não poderiam cortar-se sem prejuízos maiores ou, simplesmente, porque viam em mim mais do que o superficial, outros, a maioria, ia e vinha consoante a sua paciência, exaustão ou capacidade de observação lhes permitia. Não me entendam mal. Nunca fiz mal a ninguém, pelo menos intencionalmente ou conscientemente. Se eu descobri algo sobre mim e consegui aprender alguma coisa com o meu passado, aquilo que provocava o dinamismo das minhas relações era a personalidade forte e vincada que já se manifestava. O desejo de afirmação, a vontade de ganhar sempre, o saber sempre mais do que o outro. Umas vezes por saber mesmo, outras por mero desejo que assim fosse ou apenas desejo, ainda mais infeliz, de impor a minha vontade ao outro.

Este comportamento teve as suas consequências. Sofri muito na minha infância e adolescência, sofri na juventude e continuo a sofrer hoje, já sendo adulto. Os sofrimentos são vividos e sentidos de diferentes formas e substâncias ao longo das diferentes épocas de vida mas provêm da mesma origem, a minha personalidade e consequente comportamento social. Associado a estas características está o meu orgulho. O orgulho é uma arma de destruição extremamente forte. Consegue dar-nos alguma felicidade em momentos de vitória mas também consegue provocar a maior e mais excruciante dor em momentos de separação do que mais amamos. E como dói...

Lembro-me de existirem dois grupos de crianças na escola primária que frequentei. Um grupo maior, constituído pelas crianças que tinham comportamentos socialmente toleráveis e outro grupo, mais pequeno, constituído por mim e mais três crianças. Este último grupo era conhecido pelo seu comportamento rebelde. Estávamos sempre em problemas e a provocar o grupo maior pois, apesar de não sermos parte dele, queríamos sempre ser. Esta situação provocava uma constante insatisfação da minha parte e, em grande medida, infelicidade por não estar incluído.

Já na juventude, outras formas de dor e sofrimento começaram com os relacionamentos amorosos. Além de começarem tarde, eram poucos e duravam menos ainda. Não por falta de dedicação ou amor da minha parte mas, porque a personalidade vincada acabava por sobrepor-se a toda a dedicação e carinho que eu colocava na relação. Obviamente chorei e sofri muito. Posso dizer que tive uma juventude algo solitária e a relação familiar não era grande ajuda. Até aos 19 anos, quando decidi mudar-me para Lisboa, a autoridade era uma constante no seio familiar. Hoje, não vejo esse facto com qualquer sentimento negativo. Grande parte do que sou hoje e do que atingi na vida devo-o aos meus pais. Porém, os dois problemas da autoridade são as marcas que deixam e o facto de que não nos prepara para os grandes tombos emocionais da vida. Dá-nos um caminho e um objectivo mas não ampara as piores quedas que a vida nos apresenta... A destruição interna e o desespero que o poder dos sentimentos pode provocar.

Depois atingimos 36 anos de idade e conhecemos finalmente aquela mulher que, tenho a certeza, é a mulher que quero e preciso ao meu lado para o resto da vida. Muitos poderão dizer que a certeza é um conceito relativo e eu posso concordar até certo ponto. O facto é que a certeza se sente. Não se pode comprovar racionalmente nem cientificamente... É um sentimento que vem de dentro e fala connosco. E aos 36 anos de idade, finalmente, a certeza falou comigo.
Conheci pessoalmente a Oksana, depois de 11 anos de relacionamento distante.

Foi o acaso que nos juntou online e foi o amor que nos juntou de corpo e alma.

A certeza foi de tal forma verdadeira que no dia 30 de novembro de 2013 decidimos expressar o nosso amor da forma mais linda e pura que existe, o casamento.
Não vou entrar em detalhes da minha vida privada com a Oksana mas posso dizer-vos o seguinte: quando encontramos a nossa alma gémea, quando encontramos alguém com os mesmos objectivos de vida, quando encontramos alguém com o mesmo sonho... É o sentimento mais lindo que pode existir! O céu fica limpo de nuvens, o mar adormece em calmaria e o Sol explode numa paleta de milhões de cores que nos aquecem o coração.

E um dia cometemos erros... E esses erros podem mudar o curso de uma vida. E sabem o que é pior? Os erros provêm do mesmo passado, daquelas marcas que passamos a vida inteira a tentar mudar até que, quando já conseguimos mudanças significativas, pode ser tarde demais...
Eu cometi erros e isso arruinou o sonho de uma vida.

Tenho plena consciência que no resto da minha vida irei cometer mais erros. A perfeição não existe. O que existe é um profundo sentimento de que sou merecedor e digno de ligação, de afinidade... de amor. E tenho a coragem de expor-me e mostrar-me como sou. Tenho a coragem de abrir o meu coração a todos os quiserem ver de verdade.
A isto chama-se vulnerabilidade!

Baixei as armas e removi a armadura protectora. Estou vulnerável e não há problema algum em admitir esse facto. Este é o momento para aqueles que querem mesmo conhecer o que sou e o que poderei ser.
Há dias, um amigo escreveu-me que tem imenso orgulho e que sente ter um privilégio enorme em ser meu amigo porque eu sou um exemplo de como podemos fazer tudo aquilo a que nos propomos, um exemplo de força e dedicação.
São palavras muito bonitas e que prezo com muito carinho. No entanto, não me sinto mais forte do que qualquer outra pessoa deste mundo nem penso que tenho capacidades fora do comum. Consegui o que consegui por vontade própria mas, também, porque fui impulsionado pelo amor que vive dentro de mim. Pelo amor que estabelece uma ligação à minha mulher amada, Oksana.

Aqui estou eu. O Hugo vulnerável, sem armas e sem capa protectora. O Hugo que sofre intensamente mas também ama intensamente e não tem medo de dizê-lo ao mundo. O Hugo que perdeu o que mais ama... O Hugo que perdeu tudo...

Agora cabe-vos a vós fazer uma escolha...
É este Hugo merecedor da vossa ligação e afinidade?

Um grande e carinhoso beijo e abraço a todos vós!

08 agosto, 2012

07 agosto, 2012

Lotaria Genética

Não há nada mais feio do que um casal bonito. Casais compostos por uma mulher bonita e um homem bonito parecem fabricados. Em consequência, existirá um casal em que ambos são feios o que, ao nível do legado, terá consequências traumatizantes.
Um casal bonito é composto, impreterivelmente, por dois membros bonitos. Um casal composto de um membro bonito e outro feio não é um casal bonito. Ascende a um casal jeitosinho e não parecerá tão fabricado como o casal bonito. Existe, no entanto, uma grande diferença entre um casal jeitosinho e um casal jeitoso. O membro não bonito do casal jeitoso também não é feio. É um membro assim assim, que tem o potencial de, em conjunto com o membro bonito, conceber um legado mais para o bonito do que para o feio.
O casal feio é composto por dois membros feios. É discutível a legitimidade, ou não, desta forma de existência, mas existem. O seu legado reúne uma herança épica de anos a combater o mais odiado estigma da raça humana, o deficit de beleza.
O mais comum e equilibrado é o casal assim assim. É composto por uma mulher assim assim e por um homem assim assim (ou vice versa), e o seu legado será o mais assim assim possível. Estes não são, nem carne, nem peixe, e é talvez o casal que passa mais despercebido entre os restantes.
Contudo, a complexa natureza humana não estaria completa sem proporcionar a junção de um homem assim assim com uma mulher feia, ou de um homem feio com uma mulher assim assim. Eis o casal ranhosito. Este duo provoca reacções várias por parte dos seus congéneres mas, a mais comum, é o desejo de que o membro assim assim tivesse escolhido (ou sido escolhido por) um parceiro bonito e formado um casal jeitoso. O seu legado teria mais probabilidades de ser bonito do que feio e, assim, não passará de assim assim com maior tendência para o feio do que para o bonito.
As contas ficam mais complicadas quando no meio do casal surge um terceiro elemento. Este(a) é o(a) ranhoso(a) que estraga tudo.

A maioria das mulheres bonitas tem pés feios! Se ignorarmos as várias formas de callus (helomas, tilomas e hiperqueratosianos), algumas Staphylococcus, um ou outro metatarso mais cabeludo, inpetiginem várias, quantidade indeterminada de hallux valgus, e as infames, mas comuns, unhas encravadas, restam pés hediondos por força da anatomia bípede. Esta é a pior forma de desprimor que existe pois, se as primeiras são tratáveis, a última obriga a um completo renascimento e acompanhamento ortopédico continuado.
Desconfio sempre da natureza que gera tão abomináveis formas de desidratar de paixão os restantes 90% de um corpo feminino bem tratado. E quando a coisa nasce torta, não há pédicure comme-il-faut que endireite tamanha devassidão imposta a tão infelizes mulheres. Nem vale a pena abordar a questão pela perspectiva sofista... Ou é feio ou é bonito. Hípias, que teria uma mulher sem pés, ou mulher nenhuma, aborda levianamente o assunto, no seu Maior, atribuindo o deficit de beleza pedonal à não aplicação de ouro na construção dos respectivos membros posteriores. Talvez por isso Atena tenha permanecido virgem, ninguém lhe pegou.
A insuportabilidade de formas disformes levará, em último caso, à pergunta: É preferível um rosto bonito em pés feios ou um rosto feio em pés bonitos?
Nada menos complexo. Os mais puristas preferirão o rosto bonito, os mais fetichistas preferirão os pés bonitos.
Todas as possibilidades consideradas, restam muito poucas mulheres interessantes. E a trama adensa-se quando começamos a limitar, ainda mais, o espectro perceptível com alguns filtros de personalidade.
A falta de excelência do pododáctilo direito I ou, já agora, do esquerdo, conferem ao pé feminino uma forma insuportável, algo semelhante a um gadanho, apropriado para rasgar listas telefónicas ou abrir latas de atum sem patilha.
É preferível passar fome e acumular papel.

17 junho, 2012

O Declínio Da Monarquia

Eu tive dezasseis sem ler "Os Maias"! Foi o que ouvi, ainda mal sentado no café, de uma jovem, bonita, unhas bem arranjadas e cabelo perfeitamente pintado de louro, que aparenta não ter mais de quinze ou dezasseis anos, enquanto chupa avidamente o seu cigarro, branco e fino, que não deve ter custado menos de vinte cêntimos aos pais, ignorantes, que pagam o seu vício sem saber.
Quero acreditar que não sabem porque, se sabem, ainda são mais culpados do desinteresse da jovem que, orgulhosamente, não leu "Os Maias" mas teve um dezasseis.
Pensando bem, o que poderia prender alguém a um medíocre romance que reflecte o declínio da monarquia em Portugal nos finais do século XIX? Portugal já nem tem reis e penso que o último se chamava Carlos, se a memória não me falha, quando foi morto na Praça do Comércio.

Afinal as aventuras e desventuras de três gerações de uma família nobre, mas pobre, que vive em Lisboa na segunda metade do século XIX não tem nada de interessante. Os personagens são apenas fruto da imaginação fértil de um escritor que nem morava em Portugal, o sacana, e, ainda por cima, são perversos e conscientemente incestuosos. Que malvadez intragável a dos nossos governantes que querem, à força, dar a conhecer a estas mentes, virgens de pecado, acontecimentos socialmente reprováveis e comportamentos sexualmente inaceitáveis, ainda por cima ficcionados na imaginação perturbada e conspurcada de um tal Eça. Só o nome é, por si, estranho.

Gostaria de saber quem foi a alma iluminada que deu um dezasseis a esta jovem, bonita, unhas bem arranjadas e cabelo perfeitamente pintado de louro, que aparenta não ter mais de quinze ou dezasseis anos, enquanto chupa o seu cigarro branco e fino, pago pelos pais, ignorantes, produzindo as caretas mais estranhas que a alguma vez a nicotina obrigou, para agradecer-lhe o excelente trabalho que desenvolve e a sua contribuição para a média altíssima que os nossos jovens apresentam em casa, para orgulho dos ignorantes que lhes pagam os cigarros brancos e finos e, ainda assim, compram telemóveis super inteligentes para recompensar o dezasseis, arduamente atingido nas últimas férias da Páscoa.

Mas este é o retrato da sociedade portuguesa do início do século XXI, na ascensão da república, o qual, não tenho dúvidas, seria genialmente retratado por Eça de Queirós caso este génio perturbado, de mente conspurcada, fosse ainda vivo.

11 junho, 2012

Diálogos Improváveis

Normalmente, as conversas laterais não passam de murmúrios. Descartamo-las à esquerda, com a facilidade da falta de interesse, e à direita, com o desprezo que merecem. Há, no entanto, narrativas perfeitas de tão cruas.
Olhando de longe, um casal parece manter uma conversa improvável. Os gestos podem assumir muitos significados. Existe um leque de possibilidades que não se verifica quando estamos na pele de um deles.
Uma narrativa crua abre-nos um número infinito de caminhos e nenhuma é mais crua do que aquela que não ouvimos. O fascínio de observar uma conversa entre surdos (mudos?) é um livro com páginas brancas e o romance é aquele que quisermos. É fazer uso dos restantes sentidos, que nos atraiçoam.

As pessoas preocupam-se em afastar o olhar. São ofensivamente discretas. Não gostam de romances mudos. Estão perante a mais bela forma literária e não querem ver.
É ali, na mesa do café, que o amor acontece. Corpos que falam e se entendem numa dança de movimentos e expressões, de comum acordo, num código próprio de quem fala a mesma língua.
Eu sou intrusivo. Leio, observo e observo... Na esperança de uma pequena linha, de uma palavra que me leve a acreditar que o romance chegará a um final feliz. Cada gesto promove uma ideia de sucesso e, intimamente, deseja-se a felicidade alheia, mesmo que a nossa esteja adormecida.
Um romance lido é bem diferente de um romance visto. Ver um romance é bem melhor que ler um. É assistir a criação em directo! É teatro sem guião e, no final, sem palmas. Os actores retiram-se em silêncio absoluto, como em qualquer final que se preze, deixando apenas as emoções dentro de quem viu.

Os gestos são universais, não têm fronteiras nem credos. São maiores que as barreiras culturais.
Quando se tem esta oportunidade, qualquer desculpa serve para não voltar a casa. Pior ainda, quando a casa espera, vazia de romance, sem gestos, em silêncio. Peço mais um café. Observo e observo, sedento de argumento. Imagino um romance sem ruído, sem gritos, numa paz perturbadora. Um assobio que ecoa, perfeito, pela imaginação.
Ter de olhar os olhos de alguém para comunicar é um descanso para a alma. É a impossibilidade de mentir e a inevitabilidade de ouvir a verdade de quem vê através do outro. Essa ausência de nervosismo poderia potenciar importantes diálogos. Poderia, mesmo, criar confiança inabalável entre amantes.

O bailado continua e continua, capaz de fazer inveja a qualquer cisne branco, ou negro. Os gestos são graciosos e calmos, sem qualquer movimento brusco. Parecem flutuar no ar, como notas musicais, que atravessam espaços para encontrar alojamento em cada um de nós. Podiam ser acompanhados de música mas não faria sentido ouvir duas músicas em simultâneo e, no entanto, nunca páginas em branco fizeram tanto sentido.
Não existem, nestes diálogos improváveis, expressões ofensivas. O amor acontece ali. É imediato.

Comunicar com o corpo é fazer amor com a narrativa!

São momentos como este, indescritíveis, que me fazem entender quão primitivo sou na minha linguagem.
É neste contexto que entendo o que perdemos por falar, o que deixamos de saber por ouvir e o que ganhamos por ver.

05 junho, 2012

O Amor...

A incompreensível satisfação em sentir-me fraco traduz-se em pouco mais do que isto.
O amor é sairmos de nós e vermo-nos em outro, cuja parte, completa um todo quando nos toca... A mão, a alma...
Amor é ser cego e ver todo o meu eu, à minha frente, a desejar voltar a mim sem nunca ter-me pertencido. O amor é ser surdo e ouvir o chamamento de quem nos deseja e viola a alma com carinho. É ser mudo e atingir o mundo com o mais alto grito de alegria e dor, cantando a todos os outros a minha insignificante presença...
Amor é um sofrer prazeroso e um prazer sofrido e perdoar tudo e ter medo... E nunca mais querer morrer.



The incomprehensible satisfaction in feeling weak translates into little more than this.
Love is to leave our inner self and see ourselves in the other, whose part, completes the whole when she touches us... The hand, the soul ...
Love is to be blind and see the whole of my self, in front of me, wanting to return to me without ever having belonged to me. Love is to be deaf and hear the call of those who fondly desire and violate our soul. It's being mute and reach the world with the loudest scream of joy and pain, singing to all my insignificant presence ...
Love is a pleasurable suffering and a suffered pleasure and to forgive everything and to be afraid... And never more wanting to die.