Escrevo, hoje, mergulhado numa imensa dor e profunda solidão. Muitos de vocês já me conhecem e convivem comigo há muitos anos, outros são amizades ou conhecimentos mais recentes no tempo mas que, mesmo assim, não deixam de ter a sua intensidade na forma como estão ligados a mim. Por fim, há ainda aqueles que me conhecem através de um breve momento social, de ouvir falar em mim ou têm apenas uma ligação de carácter virtual através de redes sociais online. A todos, sem excepção e de igual modo, quero exprimir o que sinto, o que me magoa, o meu estado de alma... No fundo, quem sou.
Não farei aqui uma demonstração de qualidade literária nem invocarei uma qualquer ficção barata. O que vocês estão prestes a ler é a realidade nua e crua de quem existe dentro do meu coração. Este, sou eu.
Não existe necessidade de detalhar todos os pequenos mistérios da minha infância e juventude. Também não quero preocupar-me com sequências cronológicas dos factos que a minha vida encerra. Apenas dar a conhecer algo. Algo que poderão desconhecer, algo que poderão amar ou algo que poderão odiar mas, acima de tudo, algo vos poderá fazer decidir se continuam na minha rede social ou não.
A minha existência sempre foi concebida de extremos. Desde muito cedo percebi que existiam pessoas que me adoravam e pessoas que me odiavam. Sendo a criança nervosa e irrequieta que, cedo, me fizeram ver que era e mais tarde eu próprio me apercebi, não tinha capacidade para entender muitos sentimentos que me rodeavam e, para ser sincero, esse facto nunca me preocupou muito. Em criança e jovem, quando algumas pessoas se afastam por algo que não os satisfaz, existem sempre muitas outras que estão disponíveis para um qualquer tipo de relação. Uma brincadeira, um aniversário, uma saída, um passeio, um convívio. Grande parte da minha infância foi passada em relacionamentos inconstantes. Tinha um grupo de amigos que, devido à personalidade que já se revelava, era muito dinâmico. O círculo era reduzido. A maioria frequentava a mesma escola, outros eram filhos de amigos da família ou, por fim, residiam no mesmo bairro e conviviam comigo quando passávamos os dias na rua. Mas este dinamismo provinha, quase como que um reflexo social, da maneira como a minha personalidade se impunha às demais. Enquanto que alguns amigos, poucos, se mantinham mais unidos a mim, por motivos que, julgo, estão relacionados com maior paciência, laços que não poderiam cortar-se sem prejuízos maiores ou, simplesmente, porque viam em mim mais do que o superficial, outros, a maioria, ia e vinha consoante a sua paciência, exaustão ou capacidade de observação lhes permitia. Não me entendam mal. Nunca fiz mal a ninguém, pelo menos intencionalmente ou conscientemente. Se eu descobri algo sobre mim e consegui aprender alguma coisa com o meu passado, aquilo que provocava o dinamismo das minhas relações era a personalidade forte e vincada que já se manifestava. O desejo de afirmação, a vontade de ganhar sempre, o saber sempre mais do que o outro. Umas vezes por saber mesmo, outras por mero desejo que assim fosse ou apenas desejo, ainda mais infeliz, de impor a minha vontade ao outro.
Este comportamento teve as suas consequências. Sofri muito na minha infância e adolescência, sofri na juventude e continuo a sofrer hoje, já sendo adulto. Os sofrimentos são vividos e sentidos de diferentes formas e substâncias ao longo das diferentes épocas de vida mas provêm da mesma origem, a minha personalidade e consequente comportamento social. Associado a estas características está o meu orgulho. O orgulho é uma arma de destruição extremamente forte. Consegue dar-nos alguma felicidade em momentos de vitória mas também consegue provocar a maior e mais excruciante dor em momentos de separação do que mais amamos. E como dói...
Lembro-me de existirem dois grupos de crianças na escola primária que frequentei. Um grupo maior, constituído pelas crianças que tinham comportamentos socialmente toleráveis e outro grupo, mais pequeno, constituído por mim e mais três crianças. Este último grupo era conhecido pelo seu comportamento rebelde. Estávamos sempre em problemas e a provocar o grupo maior pois, apesar de não sermos parte dele, queríamos sempre ser. Esta situação provocava uma constante insatisfação da minha parte e, em grande medida, infelicidade por não estar incluído.
Já na juventude, outras formas de dor e sofrimento começaram com os relacionamentos amorosos. Além de começarem tarde, eram poucos e duravam menos ainda. Não por falta de dedicação ou amor da minha parte mas, porque a personalidade vincada acabava por sobrepor-se a toda a dedicação e carinho que eu colocava na relação. Obviamente chorei e sofri muito. Posso dizer que tive uma juventude algo solitária e a relação familiar não era grande ajuda. Até aos 19 anos, quando decidi mudar-me para Lisboa, a autoridade era uma constante no seio familiar. Hoje, não vejo esse facto com qualquer sentimento negativo. Grande parte do que sou hoje e do que atingi na vida devo-o aos meus pais. Porém, os dois problemas da autoridade são as marcas que deixam e o facto de que não nos prepara para os grandes tombos emocionais da vida. Dá-nos um caminho e um objectivo mas não ampara as piores quedas que a vida nos apresenta... A destruição interna e o desespero que o poder dos sentimentos pode provocar.
Depois atingimos 36 anos de idade e conhecemos finalmente aquela mulher que, tenho a certeza, é a mulher que quero e preciso ao meu lado para o resto da vida. Muitos poderão dizer que a certeza é um conceito relativo e eu posso concordar até certo ponto. O facto é que a certeza se sente. Não se pode comprovar racionalmente nem cientificamente... É um sentimento que vem de dentro e fala connosco. E aos 36 anos de idade, finalmente, a certeza falou comigo.
Conheci pessoalmente a Oksana, depois de 11 anos de relacionamento distante.
Foi o acaso que nos juntou online e foi o amor que nos juntou de corpo e alma.
A certeza foi de tal forma verdadeira que no dia 30 de novembro de 2013 decidimos expressar o nosso amor da forma mais linda e pura que existe, o casamento.
Não vou entrar em detalhes da minha vida privada com a Oksana mas posso dizer-vos o seguinte: quando encontramos a nossa alma gémea, quando encontramos alguém com os mesmos objectivos de vida, quando encontramos alguém com o mesmo sonho... É o sentimento mais lindo que pode existir! O céu fica limpo de nuvens, o mar adormece em calmaria e o Sol explode numa paleta de milhões de cores que nos aquecem o coração.
E um dia cometemos erros... E esses erros podem mudar o curso de uma vida. E sabem o que é pior? Os erros provêm do mesmo passado, daquelas marcas que passamos a vida inteira a tentar mudar até que, quando já conseguimos mudanças significativas, pode ser tarde demais...
Eu cometi erros e isso arruinou o sonho de uma vida.
Tenho plena consciência que no resto da minha vida irei cometer mais erros. A perfeição não existe. O que existe é um profundo sentimento de que sou merecedor e digno de ligação, de afinidade... de amor. E tenho a coragem de expor-me e mostrar-me como sou. Tenho a coragem de abrir o meu coração a todos os quiserem ver de verdade.
A isto chama-se vulnerabilidade!
Baixei as armas e removi a armadura protectora. Estou vulnerável e não há problema algum em admitir esse facto. Este é o momento para aqueles que querem mesmo conhecer o que sou e o que poderei ser.
Há dias, um amigo escreveu-me que tem imenso orgulho e que sente ter um privilégio enorme em ser meu amigo porque eu sou um exemplo de como podemos fazer tudo aquilo a que nos propomos, um exemplo de força e dedicação.
São palavras muito bonitas e que prezo com muito carinho. No entanto, não me sinto mais forte do que qualquer outra pessoa deste mundo nem penso que tenho capacidades fora do comum. Consegui o que consegui por vontade própria mas, também, porque fui impulsionado pelo amor que vive dentro de mim. Pelo amor que estabelece uma ligação à minha mulher amada, Oksana.
Aqui estou eu. O Hugo vulnerável, sem armas e sem capa protectora. O Hugo que sofre intensamente mas também ama intensamente e não tem medo de dizê-lo ao mundo. O Hugo que perdeu o que mais ama... O Hugo que perdeu tudo...
Agora cabe-vos a vós fazer uma escolha...
É este Hugo merecedor da vossa ligação e afinidade?
Um grande e carinhoso beijo e abraço a todos vós!
Não farei aqui uma demonstração de qualidade literária nem invocarei uma qualquer ficção barata. O que vocês estão prestes a ler é a realidade nua e crua de quem existe dentro do meu coração. Este, sou eu.
Não existe necessidade de detalhar todos os pequenos mistérios da minha infância e juventude. Também não quero preocupar-me com sequências cronológicas dos factos que a minha vida encerra. Apenas dar a conhecer algo. Algo que poderão desconhecer, algo que poderão amar ou algo que poderão odiar mas, acima de tudo, algo vos poderá fazer decidir se continuam na minha rede social ou não.
A minha existência sempre foi concebida de extremos. Desde muito cedo percebi que existiam pessoas que me adoravam e pessoas que me odiavam. Sendo a criança nervosa e irrequieta que, cedo, me fizeram ver que era e mais tarde eu próprio me apercebi, não tinha capacidade para entender muitos sentimentos que me rodeavam e, para ser sincero, esse facto nunca me preocupou muito. Em criança e jovem, quando algumas pessoas se afastam por algo que não os satisfaz, existem sempre muitas outras que estão disponíveis para um qualquer tipo de relação. Uma brincadeira, um aniversário, uma saída, um passeio, um convívio. Grande parte da minha infância foi passada em relacionamentos inconstantes. Tinha um grupo de amigos que, devido à personalidade que já se revelava, era muito dinâmico. O círculo era reduzido. A maioria frequentava a mesma escola, outros eram filhos de amigos da família ou, por fim, residiam no mesmo bairro e conviviam comigo quando passávamos os dias na rua. Mas este dinamismo provinha, quase como que um reflexo social, da maneira como a minha personalidade se impunha às demais. Enquanto que alguns amigos, poucos, se mantinham mais unidos a mim, por motivos que, julgo, estão relacionados com maior paciência, laços que não poderiam cortar-se sem prejuízos maiores ou, simplesmente, porque viam em mim mais do que o superficial, outros, a maioria, ia e vinha consoante a sua paciência, exaustão ou capacidade de observação lhes permitia. Não me entendam mal. Nunca fiz mal a ninguém, pelo menos intencionalmente ou conscientemente. Se eu descobri algo sobre mim e consegui aprender alguma coisa com o meu passado, aquilo que provocava o dinamismo das minhas relações era a personalidade forte e vincada que já se manifestava. O desejo de afirmação, a vontade de ganhar sempre, o saber sempre mais do que o outro. Umas vezes por saber mesmo, outras por mero desejo que assim fosse ou apenas desejo, ainda mais infeliz, de impor a minha vontade ao outro.
Este comportamento teve as suas consequências. Sofri muito na minha infância e adolescência, sofri na juventude e continuo a sofrer hoje, já sendo adulto. Os sofrimentos são vividos e sentidos de diferentes formas e substâncias ao longo das diferentes épocas de vida mas provêm da mesma origem, a minha personalidade e consequente comportamento social. Associado a estas características está o meu orgulho. O orgulho é uma arma de destruição extremamente forte. Consegue dar-nos alguma felicidade em momentos de vitória mas também consegue provocar a maior e mais excruciante dor em momentos de separação do que mais amamos. E como dói...
Lembro-me de existirem dois grupos de crianças na escola primária que frequentei. Um grupo maior, constituído pelas crianças que tinham comportamentos socialmente toleráveis e outro grupo, mais pequeno, constituído por mim e mais três crianças. Este último grupo era conhecido pelo seu comportamento rebelde. Estávamos sempre em problemas e a provocar o grupo maior pois, apesar de não sermos parte dele, queríamos sempre ser. Esta situação provocava uma constante insatisfação da minha parte e, em grande medida, infelicidade por não estar incluído.
Já na juventude, outras formas de dor e sofrimento começaram com os relacionamentos amorosos. Além de começarem tarde, eram poucos e duravam menos ainda. Não por falta de dedicação ou amor da minha parte mas, porque a personalidade vincada acabava por sobrepor-se a toda a dedicação e carinho que eu colocava na relação. Obviamente chorei e sofri muito. Posso dizer que tive uma juventude algo solitária e a relação familiar não era grande ajuda. Até aos 19 anos, quando decidi mudar-me para Lisboa, a autoridade era uma constante no seio familiar. Hoje, não vejo esse facto com qualquer sentimento negativo. Grande parte do que sou hoje e do que atingi na vida devo-o aos meus pais. Porém, os dois problemas da autoridade são as marcas que deixam e o facto de que não nos prepara para os grandes tombos emocionais da vida. Dá-nos um caminho e um objectivo mas não ampara as piores quedas que a vida nos apresenta... A destruição interna e o desespero que o poder dos sentimentos pode provocar.
Depois atingimos 36 anos de idade e conhecemos finalmente aquela mulher que, tenho a certeza, é a mulher que quero e preciso ao meu lado para o resto da vida. Muitos poderão dizer que a certeza é um conceito relativo e eu posso concordar até certo ponto. O facto é que a certeza se sente. Não se pode comprovar racionalmente nem cientificamente... É um sentimento que vem de dentro e fala connosco. E aos 36 anos de idade, finalmente, a certeza falou comigo.
Conheci pessoalmente a Oksana, depois de 11 anos de relacionamento distante.
Foi o acaso que nos juntou online e foi o amor que nos juntou de corpo e alma.
A certeza foi de tal forma verdadeira que no dia 30 de novembro de 2013 decidimos expressar o nosso amor da forma mais linda e pura que existe, o casamento.
Não vou entrar em detalhes da minha vida privada com a Oksana mas posso dizer-vos o seguinte: quando encontramos a nossa alma gémea, quando encontramos alguém com os mesmos objectivos de vida, quando encontramos alguém com o mesmo sonho... É o sentimento mais lindo que pode existir! O céu fica limpo de nuvens, o mar adormece em calmaria e o Sol explode numa paleta de milhões de cores que nos aquecem o coração.
E um dia cometemos erros... E esses erros podem mudar o curso de uma vida. E sabem o que é pior? Os erros provêm do mesmo passado, daquelas marcas que passamos a vida inteira a tentar mudar até que, quando já conseguimos mudanças significativas, pode ser tarde demais...
Eu cometi erros e isso arruinou o sonho de uma vida.
Tenho plena consciência que no resto da minha vida irei cometer mais erros. A perfeição não existe. O que existe é um profundo sentimento de que sou merecedor e digno de ligação, de afinidade... de amor. E tenho a coragem de expor-me e mostrar-me como sou. Tenho a coragem de abrir o meu coração a todos os quiserem ver de verdade.
A isto chama-se vulnerabilidade!
Baixei as armas e removi a armadura protectora. Estou vulnerável e não há problema algum em admitir esse facto. Este é o momento para aqueles que querem mesmo conhecer o que sou e o que poderei ser.
Há dias, um amigo escreveu-me que tem imenso orgulho e que sente ter um privilégio enorme em ser meu amigo porque eu sou um exemplo de como podemos fazer tudo aquilo a que nos propomos, um exemplo de força e dedicação.
São palavras muito bonitas e que prezo com muito carinho. No entanto, não me sinto mais forte do que qualquer outra pessoa deste mundo nem penso que tenho capacidades fora do comum. Consegui o que consegui por vontade própria mas, também, porque fui impulsionado pelo amor que vive dentro de mim. Pelo amor que estabelece uma ligação à minha mulher amada, Oksana.
Aqui estou eu. O Hugo vulnerável, sem armas e sem capa protectora. O Hugo que sofre intensamente mas também ama intensamente e não tem medo de dizê-lo ao mundo. O Hugo que perdeu o que mais ama... O Hugo que perdeu tudo...
Agora cabe-vos a vós fazer uma escolha...
É este Hugo merecedor da vossa ligação e afinidade?
Um grande e carinhoso beijo e abraço a todos vós!
Olá Hugo,
ResponderEliminarComo já escrevi uma vez no facebook comentando um post, todos temos telhados de vidro. Uns uma telha, outros o telhado inteiro...
Agora há uma coisa que NINGUÉM tem: A capacidade de julgar a vida de outros. Para isso era preciso ter percorrido todos os caminhos que outros percorreram exactamente da mesma forma.
Por vezes escolhemos caminhos que não são os melhores, Não quer isto dizer que tenhamos má índole. A isto chama-se "viver". Faz parte da aprendizagem que irá sempre acontecer até andarmos de bengala.
Tudo de bom.
Abraço
O Inquilino do 5D ;)
Obrigado pelas tuas palavras! Fico satisfeito com o teu comentário.. Abraço
EliminarEu tenho tudo em comum contigo, embora trilhamos caminhos diferentes, a nossa história eh parecida.Entendo vc. Um grande beijo.
ResponderEliminarOlá Hugo,
ResponderEliminarParabéns pela forma clara e simples de descrever algo tão complexo como o nosso eu...é preciso coragem para sermos sinceros com nós mesmos. Como podemos ajudar alguém que se sente só numa casa cheia de amigos e familiares...já ouvi falar em grupos anónimos mas infelizmente não conheço nenhum de referência...conseguiria ajudar-me? procuro algum grupo onde se possa partilhar este vazio que tão bem descreveu (infelizmente as clínicas de psiquiatria ou psicologia não têm resultado). Obrigada e que mantenha sempre a coragem da vulnerabilidade...