Eu tive dezasseis sem ler "Os Maias"! Foi o que ouvi, ainda mal sentado no café, de uma jovem, bonita, unhas bem arranjadas e cabelo perfeitamente pintado de louro, que aparenta não ter mais de quinze ou dezasseis anos, enquanto chupa avidamente o seu cigarro, branco e fino, que não deve ter custado menos de vinte cêntimos aos pais, ignorantes, que pagam o seu vício sem saber.
Quero acreditar que não sabem porque, se sabem, ainda são mais culpados do desinteresse da jovem que, orgulhosamente, não leu "Os Maias" mas teve um dezasseis.
Pensando bem, o que poderia prender alguém a um medíocre romance que reflecte o declínio da monarquia em Portugal nos finais do século XIX? Portugal já nem tem reis e penso que o último se chamava Carlos, se a memória não me falha, quando foi morto na Praça do Comércio.
Afinal as aventuras e desventuras de três gerações de uma família nobre, mas pobre, que vive em Lisboa na segunda metade do século XIX não tem nada de interessante. Os personagens são apenas fruto da imaginação fértil de um escritor que nem morava em Portugal, o sacana, e, ainda por cima, são perversos e conscientemente incestuosos. Que malvadez intragável a dos nossos governantes que querem, à força, dar a conhecer a estas mentes, virgens de pecado, acontecimentos socialmente reprováveis e comportamentos sexualmente inaceitáveis, ainda por cima ficcionados na imaginação perturbada e conspurcada de um tal Eça. Só o nome é, por si, estranho.
Gostaria de saber quem foi a alma iluminada que deu um dezasseis a esta jovem, bonita, unhas bem arranjadas e cabelo perfeitamente pintado de louro, que aparenta não ter mais de quinze ou dezasseis anos, enquanto chupa o seu cigarro branco e fino, pago pelos pais, ignorantes, produzindo as caretas mais estranhas que a alguma vez a nicotina obrigou, para agradecer-lhe o excelente trabalho que desenvolve e a sua contribuição para a média altíssima que os nossos jovens apresentam em casa, para orgulho dos ignorantes que lhes pagam os cigarros brancos e finos e, ainda assim, compram telemóveis super inteligentes para recompensar o dezasseis, arduamente atingido nas últimas férias da Páscoa.
Mas este é o retrato da sociedade portuguesa do início do século XXI, na ascensão da república, o qual, não tenho dúvidas, seria genialmente retratado por Eça de Queirós caso este génio perturbado, de mente conspurcada, fosse ainda vivo.
Adorei e achei de uma perícia extraordinária começar o texto a atacar o Eça e no fim a dar-lhe o seu posto devido na Literatura Portuguesa! Era um sacana com talento xD
ResponderEliminarSe é jovem, loura e bonita, para quê ler o Eça...? Já tem tudo o que precisa para singrar na vida.
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