28 julho, 2005

The Day I Stop Dreaming Is The Day I Die...

Soichiro Honda foi um homem humilde. Um homem que recusava persistentemente um lugar reservado no parque de estacionamento da sua fábrica. Um homem que se recusava a usar fato e gravata e entrava no seu gabinete de presidente vestindo um fato de mecânico. Um homem que dizia aos seus empregados para sonhar em vez de pensar em ganhar dinheiro. Foi este homem que um dia disse "The Day I Stop Dreaming Is The Day I Die".

Eu não me considero sequer metade do que este homem foi, seja como pessoa ou como profissional. Apesar disso considero que o mais importante é o sonho, tal como ele. O sonho é o princípio de todos os objectivos alcançados ou ainda por alcançar.

Eu sonhei um dia com uma vida melhor. Sonhei que conseguiria trabalhar no que gosto e com o fruto desse trabalho proporcionar uma vida feliz e duradoura não só a mim mas a quem eu amo. Sonhei que conseguiria criar um produto que não só seria inovador como também melhoraria os processos empresariais e a gestão interna. Sonhei que, tal como os motores Honda sairam por ai correndo, o meu produto sairia por ai sendo instalado e utilizado por muitos empresários.

Há 3 meses recebi um convite para trabalhar em Inglaterra. O sonho de qualquer informático. Um bom emprego, boa equipa, bom salário, bons gestores. Para que este sonho pudesse tornar-se realidade seria necessário juntar a minha vontade de vir, o emprego em si e a presença de quem eu amo. Os dois primeiros já existiam só faltava o acordo da terceira parte. Se todas as partes estivessem de acordo então seria o momento ideal para um início de carreira que nos levaria muito longe.

Hoje vivo em Londres com a mulher que sempre esperei encontrar na minha vida e tenho um emprego que apesar de não ser perfeito é bastante bom.
Só esqueci um pormenor... A preparação de ambos para este mudança tão grande!

A falta do nosso país, das nossas origens e dos outros que também amamos (família, amigos, etc...) pode ser o grão de areia na engrenagem do motor. Neste momento penso que não estávamos ainda preparados para a mudança e que isso está a minar o nosso sonho. A minha felicidade passa não só pelo emprego e proximidade de quem amo mas também pela presença dos amigos e dos meus passeios de mota. Ela sente a falta da filha, família e amigos. Ambas as situações são compreensivelmente justas.

Sem nos darmos conta estamos a prejudicar a nossa própria relação e consequentemente o nosso sonho. A falha de conseguir largar definitivamente a vida anterior leva a que a vida actual não seja vivida convenientemente e como consequência não seja feliz.

Até aqui consigo compreender e entender os factos. O problema é que não sei qual a solução adequada. Será necessário abrir o motor e limpar todo e qualquer grão de areia existente? Será apenas necessário olear um pouco as peças? Ou será necessário levar o motor e todo o carro à volta deste para um outro local onde não exista areia ou falta de mecânicos? E que local seria esse?

Hoje é o meu 30º aniversário e estou sem saber o que fazer... Seria normal com esta idade já ter alguma experiência e saber resolver este tipo de problemas. Mas não tenho!

Não sei se o Soichiro Honda aos 30 anos tinha todas as respostas mas, hoje, tendo eu 30 anos, percebo que não as tenho!

1 comentário:

  1. Que lindo post, Hugo! Que vontade louca a minha de poder te oferecer as respostas, mas também não as tenho! Na verdade, a vida é uma sucessão de desafios e amadurecemos e aprendemos com eles! Não lamente não ter as respostas, corra atrás delas! Beijos e muitas felicidades!

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