18 julho, 2005

O Amor É Mesmo Fodido!

"Quanto mais vou sabendo de ti, mais gostaria que ainda estivesses viva. Só dois ou três minutos: o suficiente para te matar" - assim começa o livro "O Amor É Fodido" lançado em 1994 por Miguel Esteves Cardoso. Uma das suas publicações mais interessantes . Em 2005 eu digo: "O Amor É Mesmo Fodido!"

Quanto mais vivo mais desaprendo sobre este tão nobre sentimento... O amor. Aos 16 anos era tão mais fácil. Apaixonavamo-nos, beijávamos, fodíamos e seguíamos caminho. Uma sequência bastante simples: paixão, beijo, foda e andor que se faz tarde! Não necessariamente por esta ordem. O amor era muito efêmero e ninguém se queixava. Algumas vezes já nem nos lembravamos dela no dia seguinte!
Hoje, 14 anos depois, é tão mais complicado! Existe toda uma panóplia de sentimentos, responsabilidades e pressupostos que fodem qualquer relação.

Quando nos apaixonamos temos de escolher entre tomar a pílula azul ou a pílula vermelha. Quem toma a pílula azul vive eternamente o amor dos 16 anos. Quem toma a pílula vermelha vive o amor real e tudo o que isso implica! Inclusivamente corre o risco de ser feliz!!!

Eu optei por tomar a pílula vermelha. Fodasse!

Vivo um grande amor! Um amor real.. daqueles de pacote completo. Bons momentos, maus momentos, carinho, paixão, foda, passeios pelo parque, noites de luar, foda, jantar à luz de velas, cinema, longas conversas, foda, filhos, planeamento, acaso, amigos, família, etc. Por vezes sinto-me impotente (não no sentido literal) para compreender a outra metade. Por vezes compreendo demais. Mas serei compreendido? Penso que sim.

O maior problema do amor da pílula vermelha é o facto de ser mesmo real! Sente-se e não se consegue esconder esse facto. Mesmo quando nos apetece partir a casa toda... Que merda! Por outro lado também há alturas em que nos apetece partir a casa toda.. a foder!
É uma coisa selvagem. Uma vontade de engolir o outro. Uma situação incontrolável de desejo.

O que esperamos do parceiro é, por vezes, o que ele tem para nos oferecer. Outras vezes não é. E temos de viver com isso. Querem viver um amor sempre lindo e num mar de rosas? Tomem a pílula azul.

Aristóteles definiu o homem como um ser racional...
Então eu digo: O amor é o que mais nos afasta dessa definição.

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