
Faz pouco tempo tive a oportunidade de ler um texto de uma autora chamada A. Fabres. Esta senhora é brasileira, linguista e vive em Londres.
O seu texto, grande e eloquente, advoga a teoria de que, hoje em dia, os brasileiros não falam nem escrevem português mas sim "brasileiro" e que, infelizmente para os portugueses, um erro cometido por 160 milhões rapidamente se torna uma regra.
Aproveito para me apresentar também. O meu nome é Hugo Ramos, português e sou autor de poesia e prosa há muitos anos. Sou um defensor da Língua Portuguesa, das suas origens e das suas conquistas culturais espalhadas pelo mundo. Considero Luiz Vaz de Camões o maior poeta de sempre e ao mesmo tempo o "pai" da Língua Portuguesa.
E, por favor, não confundam os meus argumentos. Eu próprio morei no Brasil muito tempo e tive oportunidade de conviver com esse povo maravilhoso que me tratou muito bem.
Engraçados alguns dos argumentos apresentados. Um deles que a vontade dos brasileiros em mudar a língua vem do facto de quererem apagar o seu passado colonial e esquecer que 90% dos brasileiros é filho, neto ou bisneto de um(a) português(a). Esquecer portanto a sua origem familiar.
Outro dos argumentos provém da ignorante verdade de que um erro cometido por 160 milhões de pessoas se torna uma regra. Permitam-me pegar por um pouco neste argumento...
Imaginem os vários erros dos 200 milhões de americanos se tornarem uma regra... e não falo apenas de linguística!
Ou, por outro lado, imaginem o erro (corrupção) dos milhares de políticos brasileiros desde 1889 (início da república), que tornaram o Brasil um buraco financeiro, tornar-se uma regra no mundo?
Mas, considerando que os brasileiros querem de facto esquecer as suas origens físicas, familiares e culturais, porque insistem em relembrar a todo o mundo que a causa de todos os males provém do colonialismo e não de dentro deles mesmos? Porque é que a culpa de tudo o que é bom no Brasil é de um brasileiro e a culpa de tudo o que é mau é de um português?
Será que os, quase, 200 anos de independência não chegou para os políticos brasileiros apagarem os "erros" do colonialismo e fazer do Brasil um país exemplar? Ou será que a origem de todos os problemas é outra?
Não sei como é possível haver uma única pessoa neste mundo que queira esquecer as suas origens e a sua cultura. Não compreendo uma hipótese dessas. O passado de Portugal tem mais vitórias do que derrotas mas mesmo assim não esquecemos as derrotas pois isso serve para aprender-mos e refazer-mos os erros cometidos no passado. Além disso eu não poderia, sob pretexto algum, querer esquecer um passado que deu mundos ao mundo. Um passado de aventura, coragem e descobrimentos!
Eu não poderia, nem com uma arma apontada à cabeça, esquecer que fomos os primeiros a descobrir os mares nunca antes navegados. Seria como um americano querer esquecer que foram os primeiros a chegar à Lua.
Voltando à linguística penso existir uma histeria colectiva sobre este assunto. A senhora Fabres menciona o facto de que os ingleses e americanos já acordaram em aceitar as diferenças linguísticas que os separa mas nem por isso a língua dos americanos passou a chamar-se "Língua Americana". Continua, e muito bem, a chamar-se Inglês dos Estados Unidos da América.
Os americanos também não teimam em esquecer o seu passado colonial mas antes celebram acordos com o Reino Unido de modo a fortalecer a sua economia e as relações com a, hoje dominante, União Europeia.
Talvez fosse mais inteligente por parte dos brasileiros fazer o mesmo. Quem sabe poderiam aprender alguma coisa sobre políticos menos corruptos e conseguir fazer do Brasil uma economia saudável e ganhar o respeito mundial que merece?
O meu ponto de vista é simples e coerente. Querem mudar o nome da língua para "Brasileiro", façam-no! Mas não usem nem mais uma palavra desta tão nobre e distinta Língua Portuguesa. Inventem a sua própria.
Fabres advoga o direito dos brasileiros de mudar a sua língua com base nos erros cometidos por 160 milhões de pessoas...
Eu advogo o direito dos portugueses a honrar e orgulhar-se da sua língua com base no falar e escrever correctamente.
Vamos seguir o errado ou o certo?
Que mal lhe pergunte senhora Fabres... Porque escreveu o seu texto em inglês?