Às vezes vou a andar pela rua e dou comigo a olhar para o rosto das outras pessoas. Penso, em tempo real, no que passará pelas mentes de tais seres. Umas alegres, outras tristes, outras inexistentes... Meras sombras que se arrastam pela calçada...
É uma das maneiras de esquecer as coisas más que nos acontecem. Gosto de fingir que nada de terrível aconteceu na minha vida. É natural querer esquecer. Um acto de auto-protecção que faz parte do comportamento inato dos humanos mas, na realidade, nunca esquecemos.
Por vezes pergunto-me que segredos escondem naquele impenetrável espaço que é a sua mente? Algo bom? Sombrio? Obscuro?
Será que já passei por algum assassino? Qual será a sensação de sabermos que já matámos alguém? Será que os outros desconfiam? Conseguem vê-lo nos nossos olhos?
O que diferencia um assassino em série dos demais? O que têm eles, ou não têm, que faz a diferença?
Quando sonhamos não existem regras. Podemos voar e tudo é-nos permitido. Por vezes há um breve momento, quando acordamos, em que tomamos consciência do mundo real à nossa volta mas continuamos a sonhar. Até podemos pensar que conseguimos voar mas é melhor não tentarmos...
Os assassinos em série passam a totalidade da sua vida nesse lugar, algures entre o sonho e a realidade.
No início, quando conhecemos pessoas, só pensamos nas diferenças que nos separam mas, com o passar do tempo, começamos a ver as semelhanças. Deve ser como começam as amizades... Deve ser como começa o amor...
...Mas nunca esquecemos.

