24 maio, 2012

Nunca Esquecemos

Às vezes vou a andar pela rua e dou comigo a olhar para o rosto das outras pessoas. Penso, em tempo real, no que passará pelas mentes de tais seres. Umas alegres, outras tristes, outras inexistentes... Meras sombras que se arrastam pela calçada...

É uma das maneiras de esquecer as coisas más que nos acontecem. Gosto de fingir que nada de terrível aconteceu na minha vida. É natural querer esquecer. Um acto de auto-protecção que faz parte do comportamento inato dos humanos mas, na realidade, nunca esquecemos.

Por vezes pergunto-me que segredos escondem naquele impenetrável espaço que é a sua mente? Algo bom? Sombrio? Obscuro?
Será que já passei por algum assassino? Qual será a sensação de sabermos que já matámos alguém? Será que os outros desconfiam? Conseguem vê-lo nos nossos olhos?

O que diferencia um assassino em série dos demais? O que têm eles, ou não têm, que faz a diferença?
Quando sonhamos não existem regras. Podemos voar e tudo é-nos permitido. Por vezes há um breve momento, quando acordamos, em que tomamos consciência do mundo real à nossa volta mas continuamos a sonhar. Até podemos pensar que conseguimos voar mas é melhor não tentarmos...
Os assassinos em série passam a totalidade da sua vida nesse lugar, algures entre o sonho e a realidade.

No início, quando conhecemos pessoas, só pensamos nas diferenças que nos separam mas,  com o passar do tempo, começamos a ver as semelhanças. Deve ser como começam as amizades... Deve ser como começa o amor...

...Mas nunca esquecemos.

17 maio, 2012

Interacção Social

A rapariga que viajava ao meu lado no metro acabou de meter conversa comigo para me dizer que eu estava a ouvir um excelente álbum no meu iPhone. Já me tinha esquecido o que são as interacções sociais nos transportes públicos... Falo de interacções sociais reais e não virtuais, como no Facebook.

Depois de me tocar no ombro, e interromper a minha hipnose musical, pediu imensa desculpa e disse-me o que tinha a dizer. Ainda completou com "e eu tenho esse álbum original em vinil...". Depois olhou para mim e saiu na estação onde o metro parou. Fiquei sem saber bem o que dizer. Ninguém metia conversa comigo, no metro, há muitos anos. Enquanto se afastava, olhou de lado para mim através da janela e desapareceu naquela fronteira física do vidro e do metal...
Pensei... Aqui está uma pessoa que nunca mais vou ver mas que marcou trinta segundos da minha vida.

Voltei a colocar os fones nos ouvidos e continuei a ouvir "Romeo & Juliet - Alchemy" dos Dire Straits. As portas do metro fecharam e eu fechei os olhos um pouco para apreciar o som que me enchia a alma. Passados uns momentos olhei à volta, a carruagem estava vazia e o metro não saía da mesma estação.
A circulação tinha sido interrompida, devido a uma avaria, e todos saíram menos eu!

12 maio, 2012

Latente

Meu amor, sinto-te tão triste e magoada
Algumas situações podem ser más,
Muitas vezes é o que a vida nos trás,
Mas serás sempre protegida e amada...

Meu amor, haverá sempre sol depois de chover
E limparei essas lágrimas a cada nova etapa...
Antes a dolor incerteza que me mata
Do que a aterradora certeza de morrer...

Sinto-me latente
É tanta, e profunda, a minha tristeza
Que nunca a minha alma se sentiu tão presa...

Sinto-me impotente
Porque não existe suficiente conteúdo ou riqueza,
Que cante o meu amor por ti, na Língua Portuguesa...

09 maio, 2012

É Meu, E Teu, Este Amor

É meu, e teu, este amor
Destino profundo que nos une...
É minha, e tua, esta dor
Desgraçada que nos pune...

Cada um de nós no seu país
Uma loucura de cantar e sofrer...
Somos troncos da mesma raiz
Que sonha por um dia a chover...

Sonho sonhado num dia banal
Daqueles que se aprende a viver,
Apenas o nosso amor é tão real...

Mas sem estares a meu lado,
Vãs promessas feitas, vãs vidas eleitas,
Sem amor e felicidade é o nosso fado...