01 setembro, 2007

Perseguição Monumental

Nunca na minha vida imaginei que um dia faria uma perseguição de mota a um outro veículo... Ontem forçaram-me a fazê-lo!

1 de Setembro, 00h35, subúrbios de Lisboa, N117 aos Cabos de Ávila. Este é o local onde me encontrava parado a reparar a viseira do capacete que estava solta.

Mota desligada e estacionada na berma e eu sentado por cima dela sem tirar o capacete. É perigoso estar numa via rápida estacionado. Tudo aconteceu em milésimos de segundo!
Ouço um zumbido pelo ar e de repente sinto uma garrafa de vidro passar a milímetros do meu braço esquerdo e partir-se em mil pedaços mesmo no painel dos manómetros da mota.

Quando olho para perceber o que se passou vejo um táxi que passava por mim a afastar-se numa velocidade não inferior a 100km/h em direcção a Lisboa.

Sem pensar muito bem o que poderia fazer ligo o motor da mota e, ainda sem ter conseguido encaixar a viseira no capacete, inicio uma perseguição ao táxi e seus ocupantes.
Durante os 5 ou 8 minutos que persegui o táxi tive tempo de pensar em tudo mais claramente.
Lembro-me perfeitamente de querer ultrapassar o carro e parar o mesmo em plena estrada... Lembro-me também de olhar bem nos olhos de um dos passageiros que seguia no banco de trás que ria e gozava comigo pelo facto de os perseguir. Lembro-me ainda de abrir o blusão e tentar retirar o telemóvel para marcar 112 e tentar que aparecesse algum carro patrulha que me ajudasse. Foi nesse momento que o ocupante da frente do táxi colocou a mão de fora e me fez sinal para os seguir até ao destino... Claramente num acto provocatório de como quem quer dizer: "Vem atrás de nós que já te fazemos a folha!"

Foi neste momento que me apercebi!!! Os ocupantes do táxi, de raça negra, são 3... Estavam a tomar a direcção de uma discoteca de música africana em Alcântara e portanto teriam necessariamente que passar em frente à esquadra de polícia do Largo do Calvário para logo depois sairem do táxi.

Acalmei os nervos e pensei frio... Fui atrás do táxi e esperei calmamente que eles chegassem ao último cruzamento, onde verifiquei se o taxista ia virar na direcção da esquadra ou não. Este fez-me sinal para ultrapassar mesmo antes de virar no cruzamento já de pisca ligado indicando o lado esquerdo. Neste segundo pensei: "é o momento certo!"

Passei o táxi mesmo antes deste virar e abrandei a velocidade... Assim que passo na frente da esquadra uso freneticamente a minha buzina e ao mesmo tempo atravesso a mota na frente do táxi obrigando-o a parar repentinamente mesmo na frente dos polícias que correram para mim para saber o que se passava.

A partir deste momento é facil perceber o que se passou... Eu informei os polícias de que vinha em perseguição do táxi porque um dos ocupantes me tinha agredido com uma garrafa de vidro atirada a mais de 100km/h que não me acertou por milímetros.

Rapidamente os polícias repreenderam o taxista por permitir que os ocupantes do seu táxi estivessem a consumir bebidas durante o transporte. Situação essa completamente ilegal.
Seguidamente obrigaram os ocupantes a entrar na esquadra para identificação e pediram os meus documentos.

Apenas um dos 3 ocupantes do táxi tinha documentos de identificação com ele e os outros tiveram de ser identificados.

Fui informado de que tinha 6 meses para apresentar queixa formal contra estes senhores. As queixas poderiam ir de simples danos materiais até tentativa de homicídio. Depois de entender tudo muito bem segui o meu caminho com a mota cheia de vidros e bebida, já seca, por toda a parte frontal.
Ainda não vi como ficou a mota com à luz do dia mas, à primeira vista, parece-me que a nina está boa de saúde! :-)

Imaginem que por mero acaso eu tinha retirado o capacete... E imaginem ainda que a garrafa, viajando a mais de 100km/h, acertava na minha cabeça e não na mota...

Agora imaginem o belo e emotivo funeral de um motard que estava calmamente parado numa estrada a reparar o seu capacete...

5 comentários:

  1. Realmente vê-se com cada coisa... é incrível como uma situação dessas pode acontecer!! Valeu pelo sangue-frio e pelo conhecimento da zona onde circulavas... ah! e pelo capacete... "V"

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  2. Incrível... ele há gente mesmo... enfim... nem de gente deviam ser chamados.... Fizeste muito bem!!
    e ainda bem que não te magoaste. Do mal o menos ;)

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  3. Eu poderia tecer inúmeros comentários em relação ao teu, já de si crítico, texto: não há informação; não se cultiva, em sociedade, a noção de que a nossa liberdade acaba quando a liberdade dos outros começa; muitas vezes, como foi o teu caso, encontramo-nos em situações de grande vulnerabilidade e temos de reunir forças hercúleas para que a Justiça seja feita... Quanto a isso, fica apenas o alívio de saber que saíste ileso.
    Mas se alguma coisa tivesse acontecido ("diabo seja surdo, cego e mudo!"), os marmanjos estariam ressacando da sua noitada frente a uma televisão desinteressada, ouvindo relatos de "testemunhas oculares" - que ACHAM mais do que VÊEM - de um motard em excesso de velocidade ferido esquizofrenicamente por uma garrafa, seguidos de uma "brilhante" peça sobre a elevada e alarmante frequência de doenças mentais auto-mutilantes em Portugal. Ai de mim se me tentar aleijar com uns caquinhos de vidro! Se calhar, terei de ser internada no Júlio de Matos. Somos todos médicos, hoje em dia...
    Bjs, H*JG

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  4. calbertor2003@hotmail.com2 de setembro de 2007 às 17:40

    olá Compadre Portuga.
    Achei curioso o título e acabei a ler o texto, preso do começo até o final.
    A emoção está lá toda e muito bem transmitida.
    Felizmente a aventura teve um final feliz.
    Agora a descrição da mesma está uma delícia,parabéns.
    Tornas visível tudo o que aconteceu através das palavras, grande sortudo, aproveita esse dom.
    Boas curvas e felicidades.

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  5. Atititude de louvar...
    sangue frio e 2 dedos de testa

    Boas curVas

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