13 outubro, 2014

Mar Vermelho

Foi quando te vi, gentil e delicada senti, o fascínio.
Foi quando me olhaste, por cima do ombro, sensual,
Que me senti pleno, sereno, perdido no teu domínio...
Foi assim, de forma simples que senti do mar o sal...

E perdido, nesse mar vermelho e sofrido, renasci,
Livre de tão preso, vivo de tão indefeso, senti,
Uma antítese de valores, um oceano de tremores
Uma vaga de sensações, imensidão de ardores...

Foi a tua luz esmeralda e brilhante que me cegou
Foram as tuas mãos, num indescritível tocar
Foi o teu mar vermelho, que acabou por me queimar

E foste tu, por completo, tudo o que me chegou
Naquele momento só nosso, tão imenso e singular 
Tanto, tanto de nós dois, que, por nada, quero deixar...

15 agosto, 2014

Tenho Saudades

Meu amor, tenho saudades do carinho das tuas mãos delicadas, dos teus braços cheios de amor, que me apertam e protegem nas horas boas e nas horas más. Tenho saudades dos teus olhos doces e mel que me tocam bem fundo e tudo descobrem até ao infinito da minha alma...
Meu amor, tenho saudades do leve caminhar dos teus pés que, furtivamente, se colocavam no meu colo em busca do prazer genuíno e do descanso recíproco... Tenho saudades dos nossos beijos que me entontecem e transportam para outra dimensão, onde apenas existimos nós e um oceano salgado e o nosso amor é puro, verdadeiro e mútuo.
Meu amor, tenho saudades do veludo moreno que tantas vezes, suave e lentamente, acariciou o meu rosto enquanto, entrelaçados, proclamávamos o nosso amor... Tenho saudades da tua pele, seda delicada, que me envolve num aroma de campos floridos numa tarde quente de Verão.
Contigo, eu sou feliz como nunca imaginei ser. Como eu nunca mereci estar.
E quando o tempo te perguntar sobre mim e a minha vida, diz-lhe que fizeste de mim um Homem e da minha vida um sonho do qual não mais acordarei.
E quando o tempo te perguntar sobre a nossa vida e o nosso amor, diz-lhe que nós vivemos o que nunca foi vivido; e que o amor verdadeiro e mútuo é imortal.
Meu amor, sinto-me, nos teus braços protegido, nos teus olhos honrado, nos teus pés humilde, nos teus beijos amado... E não tenho medo da vida porque, um amor assim não morre e tu, meu amor, estás sempre no meu coração.

14 agosto, 2014

A Loucura

Chamem-nos loucos, ou normais, mas, chamem-nos qualquer coisa! Porque a nossa alma é impaciente e anseia por amor... Ahh, Florbela, como tu me compreendes!

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades… sei lá de quê!" - Florbela Espanca


"Apesar de tudo, a loucura não é assim uma coisa tão feia como muita gente julga. Há tantas loucas felizes!" - Florbela Espanca

11 agosto, 2014

Elogio ao Amor

Quero elogiar um tema central das nossas vidas: o Amor.
Longe de mim estar aqui a escrever a receita para qualquer entendimento profundo sobre o Amor ou ajudar-vos a superar a maior dor que existe, porque é interna, porque não há ciência médica nem engenharia química que a consiga suprimir, porque, mais tarde ou mais cedo, todos vamos senti-la.
Também não estou ao nível de Camões, cantando o Amor de uma forma que arde sem se ver ou de Espanca, cantando o Amor até que este a levou da vida.

O que pretendo aqui fazer é elogiar o Amor. O Amor verdadeiro. O Amor puro. Aquele Amor que não se explica, não se racionaliza, não se controla. Aquele Amor que nos leva a fazer as maiores merdas. Aquele Amor que, simplesmente, toma conta da nossa alma. Aquele Amor que dá vida, não a retira. Aquele Amor, tão simples e puro, capaz de gerar uma nova vida...

Parece-me que já ninguém é capaz de sentir este Amor! Já não há paciência. E não há paciência para aqueles que não têm paciência.
Hoje, já não se sente o Amor puro. O Amor verdadeiro. A vida encarrega-se de transformar o Amor em algo secundário. Porque faz sentido. Porque é lógico. Porque é conveniente. Porque é prático. Porque o casal fica bem quando estão juntos, porque até não discutem ou discutem mas superam, porque se entendem, porque têm interesses comuns, não os do Amor mas de outra espécie.
Hoje, assim que se sente uma paixão, consultamos um advogado. Pedimos opinião aos amigos, deixamos a família interferir no que sentimos. Hoje, mal se fala em casamento, fazemos acordos pré-nupciais, celebramos contratos, atingimos acordos através do "diálogo". Quando surge a primeira merda, conversamos. Quando aparece a segunda merda, compreendemos. Quando acontece a terceira merda, superamos. Mas, quando explode a quarta merda, não perdoamos!
É mais fácil deixar a vida matar o Amor do que viver o Amor!

Eu quero elogiar o Amor verdadeiro. O Amor puro. O Amor cego, estúpido, desconcertante, tolo, doente, magnético, viciante, vulnerável. O Amor bom, carinhoso, companheiro, confidente, floral, confiante, romântico, sorridente, amigo. O Amor que nos extrai poesia. O Amor que envia flores. O Amor que pede desculpa e perdoa. O Amor que nos fode a vida! Como disse o grande Miguel Esteves Cardoso, "o Amor é fodido"! "O Amor é uma coisa, a vida é outra". E, hoje, deixamos a vida foder-nos o Amor!

O Amor não é um intervalo conveniente entre as amarguras da vida. O Amor não serve para sarar as feridas do passado nem é o antibiótico para as feridas do futuro. O Amor não é um antídoto para a solidão nem a palmadinha nas costas da desilusão. O Amor é o presente! É o hoje, com todas as coisas boas e más. O Amor é um estado de alma.
E, depois, vêm os amigos. "O tempo cura tudo"! O tempo não cura tudo... Aliás, o tempo não cura nada! O tempo apenas desvia a atenção do incurável.

Odeio os casalinhos recentes. Já não vejo ninguém apaixonar-se de verdade. Já não vejo ninguém ficar insano, mandar flores, gritar, pedir perdão, ficar com medo, perdoar. Amor é Amor. É uma beleza e um perigo. É um paraíso e um inferno. É confiar que, mesmo quando nos fazem mal, querem-nos bem. Mas vocês já não têm paciência para o inferno. Já não querem esperar pela calmaria que vem depois da tempestade. Já não querem nada. Preferem a dor excruciante de matar o Amor do que vivê-lo. Porque é mais fácil. E anos depois, apercebemo-nos que passámos a vida a fugir do perigo mas, também fugimos da beleza. Fugimos do inferno mas, do paraíso também. Fugimos de quem nos fez mal sem ver o quanto nos fazia bem. Fugimos do Amor. E, no fim, ficámos apenas com a vidinha de merda.

O Amor é uma coisa, a vida é outra. O Amor verdadeiro não é um princípio, não é um meio, não é um fim. O Amor puro é uma condição. Sentimo-la, desejamo-la, vivêmo-la mas, sem descartá-la. O Amor puro é a nossa alma e a alma não é descartável. É a nossa alma a correr atrás do que não compreende, não alcança, não solta, não vive com e não vive sem. A vida é dormir sozinho, o Amor é dormir abraçado. A vida é trabalhar, o Amor é namorar. A vida é realidade, o Amor é sonhar acordado. A vida é não desculpar, o Amor é perdão. A vida está cheia de mentiras, o Amor é a verdade! O Amor é muito mais lindo que a vida.

A vida dura toda a vida... O Amor dura para a eternidade!



I want to praise a central topic of our lives: Love.
Far from my intentions to be here writing the recipe for any deep understanding about Love or help you to overcome the biggest pain that exists, because it is internal, because there is no medical science or chemical engineering that can suppress it, because sooner or later, we all will feel it.
I'm also not at the level of Camões, singing Love in a way that burns without being seen or Espanca, singing Love until it took her life.

What I intend to do here is to praise Love. True Love. Pure Love. Love that can not be explained, not rationalised, not controlled. That kind of Love that makes us do the biggest shit. That one Love that simply takes control of our soul. That one Love that makes you live, not quit on it. That one Love, so pure and simple, capable of conceiving a new life...

It seems to me that no one is ever able to feel this Love anymore! There is no more patience. And there is no patience for those who do not have patience.
Today, you no longer feel pure Love. True Love. Life takes care of transforming Love in something secondary. Because it makes sense. Because it is logical. Because it is convenient. Because it is practical. Because the couple looks good together, because they don't quarrel or do but overcome, because they understand each other, because they have common interests, not those of Love but of another kind.
Today, as soon as you feel in Love, you consult a lawyer. You ask your friends opinions, you allow your family to interfere with your feelings. Today, as soon as there is a talk about marriage, prenuptial agreements are made, contracts are celebrated, agreements reached through "dialogue". Then, when the first shit comes, we talk. When the second shit happens, we understand. When the third shit appears, we overcome. But, when the fourth shit explodes, we do not forgive!
It's easier to allow life to kill Love than to live Love itself!

I want to praise True Love. Pure Love. Blind, stupid, confusing, silly, sick, magnetic, addictive, vulnerable Love. Good, affectionate, companion, confidant, floral, confident, romantic, smiling, friendly Love. Love that draws on poetry. Love that sends flowers. Love that apologises and forgives. Love that fucks up life! As the great Miguel Esteves Cardoso said, "Love is fucked up!" "Love is one thing, life is another." And today, we allow life to fuck up Love!

Love is not a convenient interval between the bitterness of life. Love does not have the purpose to heal the wounds from the past and it is not the antibiotic for the wounds of the future. Love is not an antidote for loneliness or a pat on the back to help with disappointment. Love is the present! It is the today, with all the good and bad things. Love is a state of the soul.
And then friends come. "Time heals everything"! Time does not heal everything... Indeed, time does not heal anything! Time just diverts attention from the incurable.

I hate the recent little couples. I have not seen anyone fall in Love for real. I have not seen anyone go insane, send flowers, scream, beg forgiveness, be afraid, to forgive. Love is Love. It is beauty and danger. It is heaven and hell. It is trusting that, even when we do wrong, we mean well. But you no longer have the patience to endure hell. You no longer want to wait for the calmness that comes after the storm. You no longer want anything. You prefer the excruciating pain of killing Love than to live it. Because it's easier. And years later, we realise that we spent all our lives fleeing from danger but we also fled beauty. We escaped from hell, but also from heaven. We fled the one who did us wrong without seeing how much he did us well. We fled Love. And, in the end, we were just left with our shitty little lives.

Love is one thing, life is another. True Love is not the beginning, it is not the means, it is not an end. Pure Love is a condition. We feel it, we desire it, we live it but we don't dismiss it. Pure Love is our soul and the soul is not disposable. It is our soul running after what it does not understand, it does not reach, it does not loose, it does not live with and does not live without. Life is to sleep alone, Love is to sleep embraced. Life is to work, Love is to court. Life is reality, Love is daydreaming. Life is to not excuse, Love is forgiveness. Life is full of lies, Love is the truth! Love is much more beautiful than life.

Life lasts a lifetime... Love lasts for eternity!

06 agosto, 2014

A Amizade...

Hoje recebi uma mensagem da minha querida amiga Ana que me fez chorar sem capacidade de resposta...

Fica aqui...

"Bem… acho que está a faltar o meu comentário aqui... Já lá vão muitos anos… Muita vivência em conjunto de momentos felizes e momentos menos felizes! De meses a fio de ausências e de meses a fio de presenças. De algumas “divergências” e de muitas “convergências”. E, apesar, de muitas vezes ser inevitável perder a paciência contigo, com esse teu feitio que tu sabes… apenas uma certeza que sempre me acompanhou e sempre me acompanhará: esse teu coração é dos mais nobres,  genuíno e grande, que conheço! Por isso, sempre acreditei (e acredito) na tua força e no excelente Ser Humano que és! Não, nunca, em caso algum merecia sofrer o que está a sofrer e o que já sofreu no passado… No entanto, por muito que te queira ver feliz, não te posso dar força e incentivo para apanhares um avião (como já tive oportunidade de o dizer e direi as vezes que forem necessárias), sob pena de te ver a sofrer ainda mais do que está a acontecer neste momento. Não duvido de que és capaz de conseguir virar o mundo do avesso no que depender de ti, mas infelizmente nesta situação, não depende apenas de ti, existem outras “forças” que infelizmente aparentam ser, pelo menos, do outro lado, superiores ao Amor. Da mesma forma, também não sou capaz de te dizer, não faças isto ou aquilo, apenas não poderei incentivar a levar outro tombo. Como gostaria que tudo fosse diferente! Como gostaria de te ver feliz! Mas mais uma certeza, impera: serás feliz sim! Está a doer, bem sei. O caminho está difícil… mas conseguirás mais uma vez, superar! Acredita! Um beijinho grande e até breve meu querido Amigo! :)"

05 agosto, 2014

Resposta

Entendo a mágoa e dor interna,
Entendo, estás dentro de uma caverna...
O destino não se riu, pior, foi cruel
Escreveu o nosso futuro em tons errados de pastel...

Mas o destino somos nós que o fazemos,
As cores escolhemo-las juntos e falta tanto caderno...
Apenas a nós cabe decidir quem queremos
Porque apenas nós já vivemos o amor eterno!

Não penses que sofres completamente sozinha.
Confia no amor, minha amada querida,
Esquece a dor, perdoa, vamos sarar a ferida...

Não desistas, tem força, vamos traçar outra linha.
Não me peças o impossível e deixar-te a sofrer
Porque se é isso que queres, prefiro morrer...



I understand the grief and internal pain,
I understand, you're inside a cave...
Destiny didn't laugh, worse, it was cruel
It wrote our future in wrong pastel colours...

But destiny it's up to us to make it,
The colours we choose together and so much book to write on...
It's only up to us to decide whom we want
Because only we lived eternal love already!

Don't think you suffer completely alone.
Trust love, my dear loved one,
Forget the pain, forgive, let's heal the wound...

Don't give up, be strong, let's draw another line.
Don't ask me the impossible and leave you suffering
Because if that is what you want, I would rather die...

A Coragem da Vulnerabilidade

Escrevo, hoje, mergulhado numa imensa dor e profunda solidão. Muitos de vocês já me conhecem e convivem comigo há muitos anos, outros são amizades ou conhecimentos mais recentes no tempo mas que, mesmo assim, não deixam de ter a sua intensidade na forma como estão ligados a mim. Por fim, há ainda aqueles que me conhecem através de um breve momento social, de ouvir falar em mim ou têm apenas uma ligação de carácter virtual através de redes sociais online. A todos, sem excepção e de igual modo, quero exprimir o que sinto, o que me magoa, o meu estado de alma... No fundo, quem sou.
Não farei aqui uma demonstração de qualidade literária nem invocarei uma qualquer ficção barata. O que vocês estão prestes a ler é a realidade nua e crua de quem existe dentro do meu coração. Este, sou eu.

Não existe necessidade de detalhar todos os pequenos mistérios da minha infância e juventude. Também não quero preocupar-me com sequências cronológicas dos factos que a minha vida encerra. Apenas dar a conhecer algo. Algo que poderão desconhecer, algo que poderão amar ou algo que poderão odiar mas, acima de tudo, algo vos poderá fazer decidir se continuam na minha rede social ou não.
A minha existência sempre foi concebida de extremos. Desde muito cedo percebi que existiam pessoas que me adoravam e pessoas que me odiavam. Sendo a criança nervosa e irrequieta que, cedo, me fizeram ver que era e mais tarde eu próprio me apercebi, não tinha capacidade para entender muitos sentimentos que me rodeavam e, para ser sincero, esse facto nunca me preocupou muito. Em criança e jovem, quando algumas pessoas se afastam por algo que não os satisfaz, existem sempre muitas outras que estão disponíveis para um qualquer tipo de relação. Uma brincadeira, um aniversário, uma saída, um passeio, um convívio. Grande parte da minha infância foi passada em relacionamentos inconstantes. Tinha um grupo de amigos que, devido à personalidade que já se revelava, era muito dinâmico. O círculo era reduzido. A maioria frequentava a mesma escola, outros eram filhos de amigos da família ou, por fim, residiam no mesmo bairro e conviviam comigo quando passávamos os dias na rua. Mas este dinamismo provinha, quase como que um reflexo social, da maneira como a minha personalidade se impunha às demais. Enquanto que alguns amigos, poucos, se mantinham mais unidos a mim, por motivos que, julgo, estão relacionados com maior paciência, laços que não poderiam cortar-se sem prejuízos maiores ou, simplesmente, porque viam em mim mais do que o superficial, outros, a maioria, ia e vinha consoante a sua paciência, exaustão ou capacidade de observação lhes permitia. Não me entendam mal. Nunca fiz mal a ninguém, pelo menos intencionalmente ou conscientemente. Se eu descobri algo sobre mim e consegui aprender alguma coisa com o meu passado, aquilo que provocava o dinamismo das minhas relações era a personalidade forte e vincada que já se manifestava. O desejo de afirmação, a vontade de ganhar sempre, o saber sempre mais do que o outro. Umas vezes por saber mesmo, outras por mero desejo que assim fosse ou apenas desejo, ainda mais infeliz, de impor a minha vontade ao outro.

Este comportamento teve as suas consequências. Sofri muito na minha infância e adolescência, sofri na juventude e continuo a sofrer hoje, já sendo adulto. Os sofrimentos são vividos e sentidos de diferentes formas e substâncias ao longo das diferentes épocas de vida mas provêm da mesma origem, a minha personalidade e consequente comportamento social. Associado a estas características está o meu orgulho. O orgulho é uma arma de destruição extremamente forte. Consegue dar-nos alguma felicidade em momentos de vitória mas também consegue provocar a maior e mais excruciante dor em momentos de separação do que mais amamos. E como dói...

Lembro-me de existirem dois grupos de crianças na escola primária que frequentei. Um grupo maior, constituído pelas crianças que tinham comportamentos socialmente toleráveis e outro grupo, mais pequeno, constituído por mim e mais três crianças. Este último grupo era conhecido pelo seu comportamento rebelde. Estávamos sempre em problemas e a provocar o grupo maior pois, apesar de não sermos parte dele, queríamos sempre ser. Esta situação provocava uma constante insatisfação da minha parte e, em grande medida, infelicidade por não estar incluído.

Já na juventude, outras formas de dor e sofrimento começaram com os relacionamentos amorosos. Além de começarem tarde, eram poucos e duravam menos ainda. Não por falta de dedicação ou amor da minha parte mas, porque a personalidade vincada acabava por sobrepor-se a toda a dedicação e carinho que eu colocava na relação. Obviamente chorei e sofri muito. Posso dizer que tive uma juventude algo solitária e a relação familiar não era grande ajuda. Até aos 19 anos, quando decidi mudar-me para Lisboa, a autoridade era uma constante no seio familiar. Hoje, não vejo esse facto com qualquer sentimento negativo. Grande parte do que sou hoje e do que atingi na vida devo-o aos meus pais. Porém, os dois problemas da autoridade são as marcas que deixam e o facto de que não nos prepara para os grandes tombos emocionais da vida. Dá-nos um caminho e um objectivo mas não ampara as piores quedas que a vida nos apresenta... A destruição interna e o desespero que o poder dos sentimentos pode provocar.

Depois atingimos 36 anos de idade e conhecemos finalmente aquela mulher que, tenho a certeza, é a mulher que quero e preciso ao meu lado para o resto da vida. Muitos poderão dizer que a certeza é um conceito relativo e eu posso concordar até certo ponto. O facto é que a certeza se sente. Não se pode comprovar racionalmente nem cientificamente... É um sentimento que vem de dentro e fala connosco. E aos 36 anos de idade, finalmente, a certeza falou comigo.
Conheci pessoalmente a Oksana, depois de 11 anos de relacionamento distante.

Foi o acaso que nos juntou online e foi o amor que nos juntou de corpo e alma.

A certeza foi de tal forma verdadeira que no dia 30 de novembro de 2013 decidimos expressar o nosso amor da forma mais linda e pura que existe, o casamento.
Não vou entrar em detalhes da minha vida privada com a Oksana mas posso dizer-vos o seguinte: quando encontramos a nossa alma gémea, quando encontramos alguém com os mesmos objectivos de vida, quando encontramos alguém com o mesmo sonho... É o sentimento mais lindo que pode existir! O céu fica limpo de nuvens, o mar adormece em calmaria e o Sol explode numa paleta de milhões de cores que nos aquecem o coração.

E um dia cometemos erros... E esses erros podem mudar o curso de uma vida. E sabem o que é pior? Os erros provêm do mesmo passado, daquelas marcas que passamos a vida inteira a tentar mudar até que, quando já conseguimos mudanças significativas, pode ser tarde demais...
Eu cometi erros e isso arruinou o sonho de uma vida.

Tenho plena consciência que no resto da minha vida irei cometer mais erros. A perfeição não existe. O que existe é um profundo sentimento de que sou merecedor e digno de ligação, de afinidade... de amor. E tenho a coragem de expor-me e mostrar-me como sou. Tenho a coragem de abrir o meu coração a todos os quiserem ver de verdade.
A isto chama-se vulnerabilidade!

Baixei as armas e removi a armadura protectora. Estou vulnerável e não há problema algum em admitir esse facto. Este é o momento para aqueles que querem mesmo conhecer o que sou e o que poderei ser.
Há dias, um amigo escreveu-me que tem imenso orgulho e que sente ter um privilégio enorme em ser meu amigo porque eu sou um exemplo de como podemos fazer tudo aquilo a que nos propomos, um exemplo de força e dedicação.
São palavras muito bonitas e que prezo com muito carinho. No entanto, não me sinto mais forte do que qualquer outra pessoa deste mundo nem penso que tenho capacidades fora do comum. Consegui o que consegui por vontade própria mas, também, porque fui impulsionado pelo amor que vive dentro de mim. Pelo amor que estabelece uma ligação à minha mulher amada, Oksana.

Aqui estou eu. O Hugo vulnerável, sem armas e sem capa protectora. O Hugo que sofre intensamente mas também ama intensamente e não tem medo de dizê-lo ao mundo. O Hugo que perdeu o que mais ama... O Hugo que perdeu tudo...

Agora cabe-vos a vós fazer uma escolha...
É este Hugo merecedor da vossa ligação e afinidade?

Um grande e carinhoso beijo e abraço a todos vós!

02 agosto, 2014

Absolutamente Teu

Ser absolutamente teu, com todo o meu corpo e alma,
É sentir o sangue percorrer-me e dar-me vida.
Ser completamente teu, tudo o que me acalma,
É ter asas e voar, voar, cair e nenhuma ferida.
Ser delicadamente teu, uma obrigação que persiste,
É ter no coração uma satisfação imensa, bem interna.
Ser apaixonadamente teu, algo que já bem viste,
É sentir algo que me governa, sentir a felicidade eterna...

E de todas as coisas que já sentimos e vivemos,
De todas aquelas que sei, não esquecerás para sempre,
A mais importante de todas nunca perdemos,
A ligação permanente, aquele amor que perdura eternamente...
E o nosso primeiro beijo na varanda, ao pôr-do-sol um desejo,
O primeiro passo, de uma noite inteira sem cansaço,
Para a mistura e cumplicidade que neste momento revejo,
Foi explosão, maresia e combustão, o primeiro grande laço!

E neste muito triste momento, de enorme dor e tormento,
Penso em nós, inadequadamente separados e sós,
Numa situação extrema que me dá imensa pena e lamento,
Murmurando baixa voz, o rio ainda não chegou à foz...
E neste completo desalento, com grande sofrimento,
Imagino um futuro de amor, sem nada de mal ou de pior,
Algo que sempre quisemos juntos, algo muito melhor,
Do qual o destino, em grande desatino, me deixou sedento...

Nada mais me faria feliz, nem o meu próprio país, compreendo...
Nada mais me acalmaria, nem o sabor da maresia, hoje entendo...
Apenas tu tens esse dom, na tua voz, no teu tom, para com o teu calor,
Acalmares a minha dor... Apenas tu... Oksana, meu amor!

Every Night

Every night, in my dreams, I see you, I touch you...
So when I'm lying alone on our bed
All we had comes and goes through my head
And I know I need but fail to break through...

Every night, in my dreams, I smell you, I'm with you...
Far across the space and distance between us
I know we never wanted any of this fuss
And all my love and feelings remain genuine, it's all true!

So I can tell you, near or far, wherever you are,
I have nothing and no one else to hold on to,
Only our love and memories, to which I dive into...

I can tell you, for every star, crying like a Portuguese guitar,
Our connection and love will never be, to me, just a deja vu
And something so beautiful will never die... My love for you!

28 julho, 2014

Deixem-me em Paz

Deixem-me em paz... Deixem-me em paz!
Desapareçam todos, não estou para ninguém...
Só desejo a noite e o som que o vento faz,
O frio, o escuro e todos os males do mundo também!

Não, não sou de ferro nem quero ser forte.
Sou apenas um fraco, algo sensível e inferior...
De tudo no mundo só desejava melhor sorte,
Mais alento, mais amor;  mais de tudo e menos dor...

Deixem-me sozinho, por favor...
Não vejo saída, só suspiro, soluço, choro por ela e por mim,
A noite aproxima-se e eu só quero chegar ao fim.

Deixem-me sofrer pelo meu amor...
Deixem-me ter paz, eu mereço...
Pois de tudo o que veem, sou tudo menos o que pareço!

Fim

A minha vida está a chegar ao fim...
Fui traído pelo amor, com uma infinita dor,
Não tenho mais lágrimas, a vida não tem sabor
E eu não consigo viver assim...

A minha vida está a chegar ao fim...
Já vejo tudo a preto e branco, falta pouco e pranto,
Por não querer existir mais, por querer esconder-me no manto,
Da eterna falta de amor, da eterna falta de mim...

Desculpem-me todos vocês aí e desculpa-me tu, meu amor, por ti
Ainda aqui estou, sem conseguir estar, sem comer nem falar,
Abandonado, preso em mim, esperando a luz que me vai levar...

Desculpa-me tu meu amor, tentei o meu melhor aqui e aí...
A minha vida está a chegar ao fim...
Porque eu não consigo mais viver assim...