20 outubro, 2009

Morreste-me

Para o meu Pai...

Dei por mim sentado... Numa outra cadeira
Não muito distante, mas o bastante, para ver
A Tua ausência acontecer no fundo do meu ser
Onde tudo vive ainda, de onde nada se esgueira...

Dei por mim a chorar, gritar, pensar... Culpar
Aquele, lá em cima, escondido de vergonha tanta
Quando abraçado à tua pele fria, como manta,
Implorava por mais um minuto para Te olhar...

Queria dizer-Te o que nunca disse.
Queria levar-Te comigo ou contigo desaparecer
Para onde nunca mais alguém nos visse...

Por fim preciso disfarçar, baixar o olhar e não ver
Porque, no morrer, ainda não houve quem mentisse
Quem entende não julga, quem não entende irá entender...

4 comentários:

  1. Nesta tela de ritmo e rima, reencontro-te. E deixo-me caminhar por entre as palavras que escreves e a melodia que entoas. Sabes que já não te lia faz muito tempo e deixo-me levar pela torrente do teu luto: a raiva, o desespero, a rendição. Para mim, o teu melhor poema até hoje. Para mim, o meu favorito - maybe because I can relate. Bjo*

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  2. Hugo,

    Não sei o q dizer...
    Lamento imenso q estejas a passar por esta dor.
    O poema é lindo. O teu Pai adorou...
    Guarda dele as boas recordações e deixa sair de ti toda a tristeza, angústia, ressentimento.
    Não te culpes de nada. Fizeste em cada momento aquilo que era certo.
    Não tenhas medo das emoções, nem as tentes esconder porque elas libertam-te e permitem que a tua vida se encha novamente de serenidade e força para seguires em frente.
    Era isso que o teu Pai queria.

    Ouve o teu coração. Só ele sabe o que é correcto para ti.

    Um grande beijinho.
    Se eu puder ajudar estou aqui.

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  3. O poder da escrita é este... poder deixar dito o que ficou por dizer, poder enviar ao universo o que a alma silencia...

    Partilhar (a dor e todas as emoções)*

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  4. Através do teu coraçao, certamente que ele sempre sentiu todo o teu amor e sabe, e saberá sempre, quem ele foi, é, e sempre será para ti.

    Ele partiu mas ficou contigo para sempre no teu coraçao, essa é a riqueza da vida.

    Beijos,

    Ana.

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