29 julho, 2005

Happy Birthday To Me... yay!

Um dia depois do grande acontecimento não sinto nada de diferente. Será apenas uma marca psicológica? Ontem foi o meu 30º aniversário e hoje estou aqui sentado no escritório em Londres e nada mudou...

PQP!!! Cheguei aos 30... aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhh......

28 julho, 2005

The Day I Stop Dreaming Is The Day I Die...

Soichiro Honda foi um homem humilde. Um homem que recusava persistentemente um lugar reservado no parque de estacionamento da sua fábrica. Um homem que se recusava a usar fato e gravata e entrava no seu gabinete de presidente vestindo um fato de mecânico. Um homem que dizia aos seus empregados para sonhar em vez de pensar em ganhar dinheiro. Foi este homem que um dia disse "The Day I Stop Dreaming Is The Day I Die".

Eu não me considero sequer metade do que este homem foi, seja como pessoa ou como profissional. Apesar disso considero que o mais importante é o sonho, tal como ele. O sonho é o princípio de todos os objectivos alcançados ou ainda por alcançar.

Eu sonhei um dia com uma vida melhor. Sonhei que conseguiria trabalhar no que gosto e com o fruto desse trabalho proporcionar uma vida feliz e duradoura não só a mim mas a quem eu amo. Sonhei que conseguiria criar um produto que não só seria inovador como também melhoraria os processos empresariais e a gestão interna. Sonhei que, tal como os motores Honda sairam por ai correndo, o meu produto sairia por ai sendo instalado e utilizado por muitos empresários.

Há 3 meses recebi um convite para trabalhar em Inglaterra. O sonho de qualquer informático. Um bom emprego, boa equipa, bom salário, bons gestores. Para que este sonho pudesse tornar-se realidade seria necessário juntar a minha vontade de vir, o emprego em si e a presença de quem eu amo. Os dois primeiros já existiam só faltava o acordo da terceira parte. Se todas as partes estivessem de acordo então seria o momento ideal para um início de carreira que nos levaria muito longe.

Hoje vivo em Londres com a mulher que sempre esperei encontrar na minha vida e tenho um emprego que apesar de não ser perfeito é bastante bom.
Só esqueci um pormenor... A preparação de ambos para este mudança tão grande!

A falta do nosso país, das nossas origens e dos outros que também amamos (família, amigos, etc...) pode ser o grão de areia na engrenagem do motor. Neste momento penso que não estávamos ainda preparados para a mudança e que isso está a minar o nosso sonho. A minha felicidade passa não só pelo emprego e proximidade de quem amo mas também pela presença dos amigos e dos meus passeios de mota. Ela sente a falta da filha, família e amigos. Ambas as situações são compreensivelmente justas.

Sem nos darmos conta estamos a prejudicar a nossa própria relação e consequentemente o nosso sonho. A falha de conseguir largar definitivamente a vida anterior leva a que a vida actual não seja vivida convenientemente e como consequência não seja feliz.

Até aqui consigo compreender e entender os factos. O problema é que não sei qual a solução adequada. Será necessário abrir o motor e limpar todo e qualquer grão de areia existente? Será apenas necessário olear um pouco as peças? Ou será necessário levar o motor e todo o carro à volta deste para um outro local onde não exista areia ou falta de mecânicos? E que local seria esse?

Hoje é o meu 30º aniversário e estou sem saber o que fazer... Seria normal com esta idade já ter alguma experiência e saber resolver este tipo de problemas. Mas não tenho!

Não sei se o Soichiro Honda aos 30 anos tinha todas as respostas mas, hoje, tendo eu 30 anos, percebo que não as tenho!

27 julho, 2005

Londres Tá Bombando!!!

É verdade... Agora a minha vida começou a ser afectada também!
Ontem saí do emprego por volta das 18h e dirigi-me para casa como faço num qualquer dia de trabalho normal. Ao passar por East Finchley deparei-me com uma fila de trânsito fora do normal... Muito lenta e enorme.
Demorei cerca de 1 hora para chegar ao local que originou este problema. Uma operação policial que fechou todas as ruas daquela zona num raio de 1 Km. Toda a zona entre East Finchley (Londres norte) e a North Circular (A406) estava interditada ao trânsito rodoviário e também aos peões. Ninguém passava.

A única informação que o senhor agente dava aos cidadãos era de que deveriam "seguir por ali e desenrascar-se tentando encontrar um caminho alternativo".
E eu, cacete?!?!? Isto pra mim já é um caminho alternativo... Sim, porque um caminho normal seria fazer a Avenida de Ceuta até à Praça de Espanha, seguir em frente, virar à direita para a Avenida das Forças Armadas e antes de chegar a Entrecampos virar à direita para a Avenida 5 de Outubro até chegar ao meu anterior emprego, ou vice-versa para ir para casa.
Agora nesta situação em que esta rota bloqueada já era uma alternativa para mim, sabia lá eu descobrir outra rota para chegar a casa???

Enfim, como bom Tuga que sou, decidi estacionar o carro um pouco mais à frente e voltar até ao local da barragem na estrada e descobrir o motivo de tal reboliço!
Não dirigi palavra aos agentes presentes no local pois nunca se sabe se a minha aparência de Tuga poderia despoletar alguma cavilha naqueles cérebros ávidos de capturar terroristas e acidentalmente poderia levar com 5 a 8 tiros na cabeça!
Assim esperei calmamente uns minutos até que um dos "locais" presentes indagou junto da autoridade o que se passava. Eu apontei a orelha para a conversação e consegui entender que existia uma suspeita de carro bomba (Volkswagen Golf branco) estacionado nas proximidades e que estariam a investigar o seu interior. Assim a zona interdita seria para protecção do próprio cidadão. E eu?? Só quero chegar a casa.

Resignado com a situação fui tentar a minha sorte partindo à descoberta. Não deveria ser muito complicado afinal os Tugas no século XV também o fizeram e que aconteceu? Descobriram esse país lindo que é o Brasil, entre outros.

Resultado final: Perdi-me cerca de 5 vezes, descobri que o prédio na esquina da A406 com a A1 é cor de laranja, a saída à esquerda no fim da A1 resulta numa urbanização sem saída, o semáforo no cruzamento da A1 com East Finchley demora apenas 5 segundos até voltar ao vermelho, entre outras coisas interessantíssimas. Mas do Brasil nem sinal.
Lá consegui voltar ao local de origem onde tudo estava fechado e tentar a sorte de novo seguindo outros carros que, tive a sensação, pretendiam seguir para a mesma zona que eu.

Enfim, cheguei a casa 2 horas e meia depois de ter saído do trabalho. Normalmente este trajecto levaria apenas 20 minutos.

Como disse um amigo brasileiro no fim-de-semana passado:
"Londres tá bombando!!!"

25 julho, 2005

A Tuga In London (episode I, The Police Menace)

"For somebody to lose their life in such circumstances is a tragedy and one that the Metropolitan Police Service regrets" era a declaração que se podia ler por todos os jornais no sábado seguinte ao dia 22 de Julho, dia em que a polícia de Londres cometeu um dos maiores erros de sempre e assassinou, na estação de metro de Stockwell, um brasileiro inocente que se deslocava para o trabalho.

Os actos terroristas de 7 de Julho em Londres, sobre os quais já escrevi aqui, provocaram uma onda de medo de tal ordem que os governantes, secretamente, emitiram uma ordem para a polícia "disparar a matar para a cabeça" se houver suspeitas de terrorista suícida. Huh?!?!?!?

Mas afinal o que se passa na cabeça destes senhores? Estaremos todos a ficar loucos? Então agora, na dúvida, matamos primeiro e perguntamos depois?
Tim Hames escreve no jornal Times Online "Oops, sorry, won't do. We can't just shrug our shoulders over this shooting".
Ele tem razão! Um simples pedido de desculpas não é suficiente. Este caso deve ser um exemplo. O polícia que disparou deve ser punido mas também toda a cadeia hierárquica que autorizou esta política repugnante de matar primeiro e perguntar depois. Desde o superior do polícia até ao político ignorante que autorizou este tipo de acção. Todos deviam responder em tribunal pelo sucedido e compensar ao máximo a família lesada com esta perda incompensável.

Não bastava o medo provocado pelos terroristas... Agora também temos medo da polícia! Sim, porque amanhã posso estar a passear na rua e levar 5 tiros na cabeça sem saber de onde vieram só porque tinha uma mochila nas costas ou usava um blusão num dia de sol!

Depois pedem desculpa pelo que fizeram e a vida continua...

Estamos muito mal quando chegámos a um ponto em que um inocente é assassinado e a sociedade encolhe os ombros e deixa passar impunemente. Será que acontecia o mesmo se o jovem fosse inglês ou americano?

A polícia de Londres desceu ao túnel do metro e assassinou uma pessoa.
Desceu mais baixo que os próprios terroristas!

18 julho, 2005

O Amor É Mesmo Fodido!

"Quanto mais vou sabendo de ti, mais gostaria que ainda estivesses viva. Só dois ou três minutos: o suficiente para te matar" - assim começa o livro "O Amor É Fodido" lançado em 1994 por Miguel Esteves Cardoso. Uma das suas publicações mais interessantes . Em 2005 eu digo: "O Amor É Mesmo Fodido!"

Quanto mais vivo mais desaprendo sobre este tão nobre sentimento... O amor. Aos 16 anos era tão mais fácil. Apaixonavamo-nos, beijávamos, fodíamos e seguíamos caminho. Uma sequência bastante simples: paixão, beijo, foda e andor que se faz tarde! Não necessariamente por esta ordem. O amor era muito efêmero e ninguém se queixava. Algumas vezes já nem nos lembravamos dela no dia seguinte!
Hoje, 14 anos depois, é tão mais complicado! Existe toda uma panóplia de sentimentos, responsabilidades e pressupostos que fodem qualquer relação.

Quando nos apaixonamos temos de escolher entre tomar a pílula azul ou a pílula vermelha. Quem toma a pílula azul vive eternamente o amor dos 16 anos. Quem toma a pílula vermelha vive o amor real e tudo o que isso implica! Inclusivamente corre o risco de ser feliz!!!

Eu optei por tomar a pílula vermelha. Fodasse!

Vivo um grande amor! Um amor real.. daqueles de pacote completo. Bons momentos, maus momentos, carinho, paixão, foda, passeios pelo parque, noites de luar, foda, jantar à luz de velas, cinema, longas conversas, foda, filhos, planeamento, acaso, amigos, família, etc. Por vezes sinto-me impotente (não no sentido literal) para compreender a outra metade. Por vezes compreendo demais. Mas serei compreendido? Penso que sim.

O maior problema do amor da pílula vermelha é o facto de ser mesmo real! Sente-se e não se consegue esconder esse facto. Mesmo quando nos apetece partir a casa toda... Que merda! Por outro lado também há alturas em que nos apetece partir a casa toda.. a foder!
É uma coisa selvagem. Uma vontade de engolir o outro. Uma situação incontrolável de desejo.

O que esperamos do parceiro é, por vezes, o que ele tem para nos oferecer. Outras vezes não é. E temos de viver com isso. Querem viver um amor sempre lindo e num mar de rosas? Tomem a pílula azul.

Aristóteles definiu o homem como um ser racional...
Então eu digo: O amor é o que mais nos afasta dessa definição.

08 julho, 2005

A Tuga In London (episode V, The al-Qaeda Strikes Back)

O dia de ontem (2005-07-07) foi marcado por uma despropositada revolta dos cidadãos ingleses contra um pequeno grupo de jovens muçulmanos que, calmamente, tentavam "limpar" o metropolitano (e também um autocarro) de quaisquer vírus ou maus cheiros provenientes deste velho sistema de transporte público londrino.

Provavelmente, estes jovens, alguns deles ainda de tenra idade, não receberam uma educação apropriada ao local onde residiam e também ninguem lhes disse que se podiam ferir com tais actos de manifesta humanidade pública!

Obviamente que no médio oriente estes actos voluntários de "limpeza" são apropriados ao fim a que se destinam e até mesmo aplaudidos pelos cidadãos mais velhos que se orgulham dos mais jovens pela práctica constante de tanto voluntarismo em benefício do serviço público. Faz parte da cultura local e não se conhecem outros métodos mais ocidentais e antiquados que sirvam o mesmo fim. São muito mais evoluídos estes muçulmanos.


Aqui em Londres, capital de um país atrasado e envelhecido, temos de culpar o sistema de ensino, os serviços públicos, o governo, as forças de segurança e, até mesmo, a rainha por nunca terem implementado políticas que promovessem a evolução social e o modernismo que se impõe!
A obrigação da polícia era, calmamente, explicar a estes jovens que o país onde vivem ainda não conseguiu acompanhar o modernismo do seus país de origem. Nunca reprimir e castigar os seus actos de boa vontade! Afinal eles só queriam "limpar" o metro e devolver a Londres um dos seus mais importantes sistemas de transporte público, livre de maus cheiros e doenças.


Aqui em Londres ainda se usam métodos antiquados como condutas de ar-condicionado e filtros de ar para tentar resolver o problema menor que é o facto dos utentes precisarem respirar enquanto viajam no metro. Que coisa.. "Se as pessoas não usassem os pulmões enquanto se encontram no metro tudo seria mais fácil" admite um responsável do Metropolitano.
Este acto corajoso de "limpeza", pago com a própria vida por estes jovens porque ninguém lhes ensinou a lidar com desinfectantes perigosos, devia ser elogiado e dar origem a uma atribuição "post mortem" de prémios por actos heróicos!


A culpa não pode ser atribuída apenas às forças policiais. Os cidadãos ingleses, que diariamente usam o metro, também são culpados! Afinal de contas se tomassem banho todos os dias antes de sair de casa contribuiriam para o melhoramento da qualidade do ar/cheiros e, consequentemente, para a saúde pública! Ora reparem nesta senhora que saiu de casa ainda com a garrafa de água para lavar os dentes e a manta da cama...

Onde iremos todos parar se não evoluirmos rapidamente? Olhem para o médio-oriente e vamos tentar melhorar esta sociedade conservadora que precisa modernizar-se urgentemente!

04 julho, 2005

Original Ou Cópia???

Desde que a Xerox inventou a fotocópia que foi aberto um precedente gravíssimo na história da Humanidade!
O ser humano é, por natureza, curioso.. Curioso demais! Mas foi essa curiosidade que nos trouxe até onde estamos hoje. Foi a curiosidade o grande impulsionador das descobertas. Foi a curiosidade que elevou Portugal ao estatuto de "dono de metade do mundo" a 7 de Junho de 1494 quando Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas e se empenharam em descobrir o planeta até então desconhecido. Foi a curiosidade que levou cientistas a descobrir que a particula mais básica de qualquer matéria é o quark e que se pode encontrar no núcleo dos protões e dos neutrões.

Esta curiosidade fez com que a ciência fosse uma disciplina em constante evolução. A ciência (e a Xerox) tornaram possível a transformação, ou devo dizer a multiplicação, dos textos. Mas porquê parar nos textos? Se podemos copiar textos então podemos copiar qualquer coisa!

Alguns anos atrás dei comigo a pensar que o teletransporte (tal como vimos no filme "A Mosca" e na famosa série "Star Trek") seria a solução de todos os problemas da Humanidade! Ora vejamos.. Sendo possível "desconstruir" uma pessoa e "construí-la" noutro local tornaria possível analisar ao pormenor do átomo essa mesma pessoa durante a transição de local. Havia no entanto um problema... Segundo Einstein a quantidade de energia necessária para mover matéria à velocidade da luz é infinita e como tal impossível. Mas... e se não for matéria?

Hoje em dia já transportamos muita coisa à velocidade da luz. Dados analógicos e digitais, por exemplo. Quando fazemos um telefonema de Londres para o Rio de Janeiro não estamos a fazer mais que transportar zeros e uns (0 e 1, linguagem binária) à velocidade da luz duma forma bidireccional.

Então e se o teletransporte não tivesse de transportar a matéria propriamente dita mas sim a informação digital de que é feito o ser humano? Uma pessoa desconstruída para linguagem binária e depois reconstruída em matéria no outro lado do mundo. Isto, provavelmente, irritaria bastante os patrões das companhias aéreas! Mas deixemos de lado, por agora, a irritação das companhias aéreas.

Já imaginaram que transformando um ser humano em linguagem binária tornaria possível o transporte dessa "pessoa digital" para qualquer lado com a mesma facilidade com que enviamos um email?
Já imaginaram que durante o "estado digital" dessa pessoa poderiamos eliminar toda e qualquer anomalia ou doença tal como fazemos hoje em dia ao eliminar um vírus de um ficheiro? Como um filtro.. Filtrávamos a parte da informação binária correspondente à doença e a pessoa seria reconstruída do outro lado sem o menor vestígio de doenças ou outros males!!!
Já imaginaram que este teletransporte poderia simplesmente eliminar todo o excesso de resíduos tóxicos ou poluição criada pelo homem bastando para isso codificar em linguagem binária esses resíduos e depois simplesmente apagá-los do disco rígido sem os construir de novo?
Já imaginaram que tendo a informação digital de uma pessoa seria possível não apenas movê-la de local mas também copiar essa pessoa infinitamente? Por outras palavras, fazer clones! Nada complicado. Já o fazemos hoje em dia com o copiar e colar dos ficheiros no nosso computador. Mais uma vez a minha teoria irritaria bastante os cientistas que hoje em dia se esforçam por clonar mamíferos usando o processo, a meu ver primitivo, de dividir células.

Seria ou não a solução de todos os problemas da Humanidade??!?

Depois de todos estes anos a pensar na questão deparei-me com um problema na semana passada. Um problema para o qual ainda não vi solução. O problema da consciência humana!

Este problema não existe na informação digital que conhecemos hoje em dia! Um ficheiro não pensa "Vou ser apagado! Que chatice..."

Pois é! Quando movemos um ficheiro de uma pasta para outra ele simplesmente é copiado e o original apagado. Da mesma forma que uma cópia mas que, neste caso, o original não é apagado.

Então para movermos alguém usando o teletransporte teríamos de o copiar e apagar o original.
Mas e a consciência? O original sabe que assim que a sua cópia ficar completa vai ser apagado, o que no conceito humano significaria a sua morte. Que iria este ficheiro.. oops! este humano pensar? "Vou ser morto! Que chatice..."?
E se não fosse um simples mover? Se fosse uma cópia e o original não fosse apagado? O que aconteceria quando os dois se encontrassem? Nos computadores resolvemos este problema de uma forma bastante simples: o sistema operativo não permite a existência de dois ficheiros iguais (com o mesmo nome) na mesma pasta. Mas como seria resolvido o problema da cópia humana? Não seria permitido que duas pessoas iguais existissem simultaneamente no mesmo país? Ou bastaria mudar o nome de um deles?

A única coisa que me separa de ser o criador da maior teoria do século XXI é este problema! O que fazer com a consciência humana? Será que seria possível apagá-la também durante o processo?

Se conseguirem resolver este problema digam-me! Aceito parcerias quando for receber o Prémio Nobel...

01 julho, 2005

A Tuga In London (episode II, Attack Of The Clamps)

Tinham passado apenas uns dias da minha chegada a Londres. A noite estava estrelada. O ambiente era propício a uma saída nocturna com um colega do trabalho para bebermos uns canecos e encontrarmos outros utilizadores do Zope.

Como bom Tuga que sou procurei um espaço de estacionamento o mais perto possível do local designado para o encontro!

Em Londres os espaços de estacionamento valem ouro. E são pagos a peso de ouro! Normalmente um local para estacionar devidamente assinalado e com parquímetro custa cerca de 1 libra (1,5 euros) por 30 minutos. Alguns locais chegam a cobrar 8 ou 10 libras por hora. A somar a tudo isto temos ainda a famosa Congestion Charge. Este novo conceito londrino, que não serve para mais nada senão roubar mais algum ao comum cidadão, tem por objectivo teórico evitar o excesso de tráfico no centro de Londres cobrando aos automobilistas uma taxa diária de 8 libras para quem decide entrar no centro (conhecido por City). Este roubo.. oops! Esta taxa entra em vigor às 7h da manhã e termina às 18h30. Sorte a minha que fui para o centro depois das 18h30.

Assim, voltando ao que interessa, procurei por um local de estacionamento que não me obrigasse a pagar algumas libras. E encontrei! Um local lindo, totalmente coberto de alcatrão do mais puro, negro como a noite, sem buracos. Enfim.. em Londres um local assim para estacionar o carro é designado por Paraíso!

Cuidadoso como sou, estacionei e, depois de sair do veículo, verifiquei que este paraíso era mesmo verdadeiro tentando perceber se havia sinais proibitivos para toda esta actividade. Reparei num sinal que dizia "parque pago até as 18h00" e logo por baixo um pequeno sinal com o famoso deficiente na cadeira de rodas. Qualquer pessoa faria a sua interpretação mas a minha interpretação, depois de tanta felicidade pelo local encontrado, disse-me que o local seria pago até às 18h00 excepto se fosse deficiente e nesse caso não pagaria nada. Depois das 18h00 seria livre a qualquer veículo.

Assim, livre de preocupações, abandonei o meu querido veículo e fui beber os canecos.
Quando voltei, passadas apenas 2 horas, deparei-me com a mais humilhante de todas as imagens: O meu carro bloqueado com um bloqueador de rodas, o chamado Clamp!

Depois de uns instantes voltei a mim. Ainda tentei dialogar com o "Clamper" de serviço. Estiquei os braços, saltei, disfarcei-me de desesperado, fiz de conta que não percebia a língua inglesa, disse que o sinal não era explícito... Por fim tentei o último argumento: "I'm disabled in my head!", gritei eu, na esperança que ele percebesse a semelhança entre a minha pessoa e o bonequinho amarelo escarrapachado no sinal.

Nada serviu para demover aquele belzebú do seu objectivo em multar o pobre tuga que não queria mais nada do que estacionar o seu carrinho e beber uns "Pints" com os colegas.

Neste caso fiz a minha obrigação e paguei o valor estipulado: 115 libras!!! (50 de multa mais 65 para retirar o clamp e desbloquear a roda).

Querem ir beber uns copos ao centro de Londres? Apanhem o metro ou vão a pé!

Merda Pro Donut

E eu que sempre amei um Donut pela manhã... Começo a odia-los! Aos Donut's claro!
Aquele buraquinho tão perfeito... Aquela cobertura cremosa e espessa...

Neste momento já não penso o mesmo desse saboroso manjar dos deuses!

Ultimamente tenho recebido donuts a torto e a direito. Eu e muitos outros utilizadores do Orkut. Um serviço de engenharia social desenvolvido como projecto pessoal por um engenheiro do Google.

Este projecto totalmente inovador e demonstrativo de grande capacidade tecnológica e intelectual por parte do seu criador padece apenas de um problema: foi desenvolvido em tecnologias Microsoft.

Não tenho nada contra a Microsoft (coff coff) e até considero que sem conhecermos o mau nunca poderíamos saber o que é bom mas tenham dó de mim! Está provado que a Microsoft não desenvolve tecnologias que, tecnicamente, suportem tão elevado número de utilizadores.
Temos aqui um exemplo de um excelente serviço, bem pensado, bem concebido mas pobremente implementado numa tecnologia errada!

Só de pensar no número de servidores necessários para aguentar tamanha carga e tudo porque o logo MS está presente... Até me dá dores de estômago. Como se tivesse comido demasiados donuts!!!

Não acham que está na hora de mudar de dieta? Até o mais lindo molotoff derrete em segundos quando banhado com a mais pura saliva!
Falando por mim, já tenho saudades de um bom pastel de nata coberto de canela.

Está na hora de mudar!
Venha o pastel de nata e deixemos o donut descansar um pouco.

Um pastel de nata e uma bica bem forte, se faz favor!